Aliados de Haddad esperam debates mais quentes com Tarcísio
Petistas apresentaram a O Antagonista impressões sobre o primeiro embate entre o ex-ministro da Fazenda e atual governador
Aliados do ex-ministro da Fazenda e pré-candidato a governador de São Paulo, Fernando Haddad (PT), ouvidos por O Antagonista avaliaram como positiva a participação do petista no primeiro debate com o atual governador do estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e esperam embates mais quentes nos próximos encontros.
“Eu senti o Tarcísio muito nervoso. Principalmente quando se tratava da questão das privatizações. Achei o Haddad muito seguro. Acho que deveria ter explorado mais pontos fracos do Tarcísio, mas achei que foi bem. Até porque o Tarcísio se demonstrou muito nervoso quando explorava os pontos mais fracos, como o das privatizações, o dos pedágios e sistema de transporte”, disse o deputado federal Alfredinho (PT-SP).
“E achei um debate muito técnico, ao estilo dos dois candidatos. Um debate mais técnico do que político. Só em alguns momentos que entraram algumas polêmicas, principalmente quando tocou no assunto da prefeitura de São Paulo, que o Tarcísio fez a provocação. Mas o Haddad retribuiu com a outra em cima do prefeito aqui da cidade”.
Para Alfredinho ainda, Haddad poderia ter explorado o fato também de que, há quatro anos, foi mais votado que Tarcísio na capital paulista no segundo turno. O petista recebeu cerca de 54% dos votos válidos em 2022 na cidade de São Paulo, contra 46% do aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Primeiro debate, foi um pouco, de certa forma, mais morno. Nos próximos, a tendência é que os debates sejam mais aquecidos. Mas eu achei o Haddad muito seguro naquilo que falava. Principalmente quando discutiu o assunto economia”, pontua Alfredinho.
O deputado estadual Emidio de Souza (PT), coordenador do programa de governo de Haddad em 2026, também gostou do desempenho de Haddad no debate de domingo, 9.
“A avaliação é bem positiva. Haddad conseguiu colocar no centro do debate aquilo que realmente interessa à população: os resultados das escolhas do governo Tarcísio e como isso tem causado prejuízos ao Estado. Não fugiu da comparação entre projetos e mostrou que muitas das realizações que chegam aos paulistas são frutos de esforços do governo Lula”, disse.
“Tarcísio muitas vezes fugiu do assunto e até tentou diminuir a discussão, trazendo ataques chulos. Já Haddad manteve o equilíbrio e não entrou em provocações. Ele foi ao debate para discutir gestão, apresentar uma alternativa e assim o fez. Agora, para os próximos, acho que podemos avançar ainda mais: o programa de governo já vai ser lançado e vamos apresentar propostas concretas sobre aquilo que pretendemos fazer a partir do primeiro dia de governo“, complementou.
Haddad ressuscita ‘a culpa é de Campos Neto’
Haddad travou um debate permeado por troca de críticas contra Tarcísio no domingo.
O petista encheu de ataques o governo do adversário, enquanto o governador destacou a alta taxa de juros e o alto nível de endividamento do governo federal, para desqualificar Haddad.
O ex-ministro da Fazenda se defendeu ressuscitando uma desculpa antiga dos lulistas para a alta taxa básica de juros, atribuindo o nível da taxa Selic a Roberto Campos Neto, que deixou o comando do Banco Central (BC) em dezembro de 2024.
Indicado por Lula, Gabriel Galípolo aumentou, junto com todos os diretores da instituição, a taxa básica de juros depois de assumir o BC, que só começou a cair neste ano.
Ambos jogaram números para a plateia, sobre educação e segurança, com Haddad dizendo que quem assistia podia conferi-los a partir de uma busca na internet. Tarcísio rebateu todos, dizendo, entre outras coisas, que seu governo investiu em média mais do que o de João Doria, ao contrário do que disse Haddad, e repetindo mais de uma vez que o adversário tem problemas com matemática.
Intenções de voto
Candidato à reeleição, ele tem 51% das intenções de voto. Seu principal oponente, Haddad, tem 34%.
Em terceiro lugar aparece Vera Lúcia (PSTU), com 3%. Carlos Machado (PCB) e Vivian Mendes (UP) têm 1% cada. Brancos, nulos ou “ninguém” são 4%. Indecisos são 7%.
Na simulação de segundo turno, Tarcísio aparece com 16 pontos percentuais de vantagem sobre Haddad. O atual governador tem 53% das intenções de voto. O ex-ministro de Lula tem 37%.
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