Alexandre de Moraes parece que não sabe escrever “WhatsApp”
Moraes argumenta que dos 52 arquivos do bloco de notas que seriam mensagens encaminhadas a ele, 47 não foram localizadas
No documento de 44 páginas enviado por Alexandre de Moraes ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar se livrar de um pedido de investigação por supostas conversas com Daniel Vorcaro, o magistrado consegue o feito de não conseguir acertar a grafia do aplicativo “WhatsApp”.
Moraes argumenta que dos 52 arquivos do bloco de notas de Daniel Vorcaro que seriam, em tese, mensagens encaminhadas a ele, 47 não foram localizadas em nenhuma conversa, conforme o ministro.
“Repito: não foram localizadas em conversação alguma no whatzaap (sic). Não existe nenhuma correspondência efetiva com mensagem realmente achadas no whatzap (sic). Algo bizarro. Não existe a mera comprovação de que efetivamente foram enviadas mensagens”, disse Moraes.
“Dessa maneira, temos textos escritos em ‘bloco de notas’ que não correspondem a nenhuma mensagem efetivamente comprovada como enviada. Aqui não é que não correspondem a eventual texto enviado, mas sim nem se aponta se uma mensagem foi realmente enviada. O relatório não aponta a existência dessas mensagens no whatzap (sic) de Daniel Vorcaro. Trata-se de mera suposição”, acrescenta o magistrado.
É uma façanha considerável. Afinal, trata-se de uma manifestação dedicada a discutir cadeia de custódia, validade de investigação, competência constitucional, autoria, materialidade e metodologia de análise de provas. Mas, entre uma tese constitucional e outra, o leitor se depara com um singelo “whatsaap”.
A situação tem certo requinte de ironia.
Moraes questiona a identificação de mensagens com precisão quase microscópica, mas não consegue identificar com precisão nem o nome do aplicativo em que elas supostamente estavam. Perícia sofisticada, ortografia criativa.
A manifestação acusa o relatório policial de não conter dados brutos, de trabalhar com recortes e de apresentar conclusões que, segundo Moraes, seriam meras conjecturas. O documento diz que 228 fragmentos teriam sido selecionados para sustentar uma hipótese previamente formulada: a de que André Mendonça atuou politicamente para incriminar o colega.
Já a grafia de “WhatsApp”, por sua vez, parece ter sido submetida a um método bem menos científico: tentativa e erro. Whatsaap, Whatzap ou Whatzaap.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)