Alcolumbre usa gabinetes e apartamentos funcionais para ficar no cargo
Senadores eleitos dizem que presidente do Senado centralizou distribuição dos espaços e associa escolha a apoio na eleição interna
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), centralizou a definição dos gabinetes e apartamentos funcionais destinados aos parlamentares que tomarão posse em fevereiro de 2027 e passou a controlar pessoalmente as tratativas sobre os espaços em meio à articulação para permanecer no comando da Casa.
O Antagonista confirmou, com senadores eleitos ouvidos sob reserva, que as decisões sobre gabinetes e imóveis funcionais foram concentradas em Alcolumbre justamente no momento em que o atual presidente busca votos para sua recondução.
Logo após a eleição, um dos parlamentares pediu à sua equipe que procurasse a administração do Senado para saber qual gabinete teria à disposição no próximo ano. Segundo seu relato, foi informado de que a decisão estava nas mãos de Alcolumbre.
Dias depois, a diretora-geral do Senado, Ilana Trombka, responsável pela administração da Casa, telefonou diretamente para o senador eleito. De acordo com ele, Ilana disse que deveria procurar Alcolumbre para tratar da definição do gabinete e observou que era um dos únicos que ainda não havia feito o contato.
O parlamentar recusou. Disse ter uma relação política ruim com o presidente do Senado, não pretender apoiá-lo na eleição interna e enfrentar, desde então, dificuldades para resolver a questão.
“Ele vai prestigiar aqueles que se comprometerem a votar nele”, afirmou a O Antagonista.
O senador relatou que, ao saber que Alcolumbre havia assumido pessoalmente as definições, decidiu não procurá-lo justamente por rejeitar qualquer aproximação vinculada à disputa pelo comando da Casa.
“Para mim, ele é um péssimo presidente. Eu não vou votar nele nem que ele me desse 1 milhão de reais”, disse.
“Não vou falar com ele”
Outro senador eleito também foi informado de que teria de tratar diretamente com Alcolumbre sobre os espaços a que terá direito a partir do próximo ano e decidiu não procurá-lo.
Para o parlamentar, todos os integrantes da Casa terão necessariamente gabinete e estrutura para exercer o mandato e, por isso, ele não vê motivo para abrir uma negociação individual com o presidente do Senado.
“Fui informado e já falei que não vou falar com ele”, afirmou.
Segundo o senador, evitar o contato também é uma forma de impedir que a definição dos espaços abra margem para uma conversa sobre seu voto na eleição para a Presidência da Casa.
“Todo senador tem um gabinete e todo senador vai ter um gabinete, não vai? Então, não vou falar com ele nem conversar com ele a respeito disso”, disse.
Na sequência, acrescentou: “Capaz de ele pedir o voto: ‘Te dou um gabinete se você votar em mim para presidente’”.
O parlamentar não afirmou ter recebido diretamente de Alcolumbre uma oferta de gabinete ou apartamento funcional em troca de voto. O relato mostra, porém, que, entre senadores eleitos, a centralização passou a ser vista como instrumento da articulação do integrante do União Brasil para permanecer no comando da Casa.
A eleição para presidente do Senado ocorrerá em 1º de fevereiro de 2027, quando começa a nova legislatura, em que o Partido Liberal (PL), crítico à condução da Casa por Alcolumbre, terá a maior bancada – com 28 senadores.
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