Advogado de ex-ministro de Bolsonaro é acusado de agredir esposa grávida
Juiz do DF concedeu medida protetiva e determinou que ele Matheus Milanez se abstenha de manter contato com a mulher
O juiz Carlos Bismarck Piske de Azevedo Barbosa, do Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher do Guará (DF), concedeu medida protetiva para a esposa do advogado Matheus Mayer Milanez, que foi responsável pela defesa de Augusto Heleno, ex-ministro-chefe do GSI, no processo da trama golpista. Milanez é acusado pela mulher de lesão corporal em contexto de violência doméstica e familiar contra ela.
O juiz determinou que ele se abstenha de manter contato com a suposta vítima por qualquer meio de comunicação, como telefone e WhatsApp, e de se aproximar dela a menos de 300 metros. O magistrado atendeu a um pedido da mulher. Outras medidas protetivas solicitadas, como prestação de alimentos provisionais ou provisórios, foram indeferidas.
Segundo o juiz, a proibição de aproximação e de contato entre o advogado e a esposa deverá ser respeitada também pela mulher, sob pena de ineficácia das medidas protetivas concedidas. “Se as partes envolvidas voltarem a se relacionar deverão requerer a revogação das medidas protetivas”.
A decisão diz que “a palavra da vítima tem grande relevância nesse momento processual“. Ela relatou à Justiça que se relaciona com Milanez há dois anos, que não possuem filhos em comum e que esta é a primeira vez que faz uma ocorrência contra ele, embora não seja a primeira vez que é vítima de violência doméstica por parte dele.
Além disso, afirma que está grávida há dez semanas do advogado e que, em dezembro de 2025 e em 13 de junho de 2026, durante discussões, foi agredida fisicamente pelo marido.
Ela diz não ter mais vestígios destas agressões, mas que a primeira foi presenciada por uma amiga e que da segunda possui registros fotográficos que foram feitos na época.
Ainda de acordo com a mulher, houve uma discussão na última segunda-feira, 10, ocasião em que Milanez a teria empurrado e exigido que ela fosse embora de casa. A mulher diz estar com muito receio do que possa acontecer, pois o advogado é uma pessoa influente e usa disto para deixá-la ainda mais vulnerável.
O Antagonista entrou em contato com o advogado para perguntar se vai se manifestar sobre o caso. Se houver manifestação, a reportagem será atualizada.
Milanez segue como advogado Augusto Heleno – que foi ministro no governo Jair Bolsonaro -, na execução penal do processo da trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele é também pré-candidato a deputado federal pelo Distrito Federal nas eleições deste ano, filiado ao Republicanos.
Milanez e o deboche de Moraes
Durante os interrogatórios dos réus do “núcleo 1” da trama golpista, Milanez viralizou nas redes sociais ao pedir para uma das sessões começar uma hora mais tarde no dia seguinte para que ele tivesse tempo de jantar e se organizar.
“O motivo da minha intervenção, excelência, é bem pontual. São quase 20h da noite, a audiência amanhã se inicia às 9h. Considerando que nós temos que chegar meia hora antes, nós só viemos em 1 carro, eu ainda preciso levar o general para casa, preciso ir para a minha casa, eu minimamente quero jantar, excelência. Eu só tomei café da manhã, quase”, afirmou Milanez à época.
Relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, debochou do pedido:
“Doutor, vamos ver se nós terminamos amanhã. Daí o senhor tem quarta-feira para tomar um belo brunch, quinta-feira, jantar, que é Dia dos Namorados, sexta, Dia de Santo Antônio, o senhor comemora também em uma quermesse… Se a gente começa a atrasar, a gente não acaba”.
Na sessão seguinte, Moraes retomou o deboche:
“Doutor Matheus Milanez, fazendo votos que tenha jantado ontem tranquilamente”.
O advogado respondeu ter seguido o exemplo do magistrado:
“Vossa excelência, fique tranquilo, que a exemplo de vossa excelência, eu tomei um brunch reforçado. Só estou aqui para esclarecer que ele vai fazer o uso parcial do direito ao silêncio”.
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