Advogada e articuladora de facção na Bahia é presa pela polícia
Mulher apontada como elo de comunicação do Bonde do Maluco é detida em ação que confiscou bens de alto valor e dinheiro em espécie
Uma operação da Polícia Civil da Bahia resultou na prisão de uma advogada nesta quinta-feira, 27. A mulher é apontada pelas autoridades como a principal articuladora externa do líder da facção Bonde do Maluco, que se encontra detido no presídio de Serrinha.
Poliane França Gomes foi detida no bairro de São Caetano, em Salvador. No momento da prisão, as forças de segurança apreenderam aproximadamente R$ 190 mil em dinheiro.
Segundo a corporação, a suspeita mantinha um relacionamento com o líder do grupo criminoso. Ela seria encarregada de fazer a comunicação entre os membros da organização que estão detidos e os líderes que atuam fora da prisão.
Investigadores também alegam que ela é suspeita de transmitir ordens do comando do BDM, além de atuar na reorganização de territórios e na articulação de cobranças realizadas pela facção. O BDM é uma facção de alcance local na Bahia. O grupo mantém aliança com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e se posiciona como rival do Comando Vermelho (CV) na disputa por poder na região.
Em nota, a seccional baiana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) confirmou o acompanhamento da prisão. Uma integrante da comissão de direitos e prerrogativas da entidade esteve presente, cumprindo a determinação da legislação federal. A defesa da advogada não foi localizada pela reportagem da Folha de SP.
Escopo nacional e bloqueio de ativos
A ação desta quinta-feira teve como objetivo atingir as frentes operacional e financeira da organização. Para isso, foram emitidas 14 ordens de prisão e 25 ordens de busca e apreensão em diversas localidades.
O efetivo policial mobilizado somou 220 agentes da Polícia Civil. As diligências ocorreram em Salvador, Feira de Santana, Lauro de Freitas e Camaçari, além de outras cidades do estado da Bahia.
A dimensão da operação ultrapassou as fronteiras estaduais. As autoridades executaram ações simultâneas em Pernambuco, Rio de Janeiro, Paraná e São Paulo.
Entre os bens recolhidos, a polícia informou a apreensão de um revólver calibre .357, aparelhos eletrônicos e porções de substâncias ilícitas.
O foco na descapitalização da facção resultou em apreensões de alto valor. As forças policiais confiscaram sete automóveis e uma moto aquática.
O patrimônio incluía ainda um haras com cavalos de raça. Um dos maiores ativos bloqueados foi uma usina de energia solar. De acordo com a polícia, essa usina estava avaliada em aproximadamente R$ 1 milhão.
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