A novérrima matriz econômica de André Lara Resende

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A novérrima matriz econômica de André Lara Resende

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Carlos Graieb
3 minutos de leitura 28.01.2022 18:35 comentários
Brasil

A novérrima matriz econômica de André Lara Resende

Circulou nesta semana a informação de que o PT sonda o economista André Lara Resende (foto) para participar de um eventual governo Lula. Ele é historicamente ligado ao PSDB e foi um dos idealizadores do Plano Real. Seria um aceno ao mercado? Não exatamente. O Lara Resende que interessa ao PT vem defendendo, já faz alguns anos, teses que fazem a nova matriz econômica de Guido Mantega e Nelson Barbosa parecer bem comportada...  

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Carlos Graieb
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A novérrima matriz econômica de André Lara Resende
Foto: Reprodução/YouTube

Circulou nesta semana a informação de que o PT sonda o economista André Lara Resende (foto) para participar de um eventual governo Lula. Ele é historicamente ligado ao PSDB e foi um dos idealizadores do Plano Real. Seria um aceno ao mercado? Não exatamente. O Lara Resende que interessa ao PT vem defendendo, já faz alguns anos, teses que fazem a nova matriz econômica de Guido Mantega e Nelson Barbosa parecer bem comportada

Em vários artigos de jornal e no livro “Juro, Moeda e Ortodoxia”, Lara Resende sustenta que a crise econômica mundial de 2008 mandou pelos ares tudo que passa como verdade a respeito de inflação,  dívida pública e taxa de juros. Seria hora de testar algo diferente.

As propostas revolucionárias de Lara Resende dizem respeito, principalmente, ao Banco Central. Segundo ele,  já era essa ideia de que o papel primordial da “autoridade monetária” é controlar a inflação manipulando a taxa de juros para baixo ou para cima (como faz o BC brasileiro neste momento, em que vários preços dispararam).

Para o ex-tucano – essa espécie cada vez mais numerosa -, as funções do BC deveriam ser:

1) manter a taxa de juros sempre em um nível que incentive investimentos, ou seja, que torne mais interessante usar recursos de maneira produtiva do que deixá-los rendendo;

2) impedir a formação de bolhas especulativas, por meio de medidas regulatórias;

3) esta é superousada: financiar o Tesouro, evitando que ele tenha de ampliar a dívida pública buscando recursos no mercado. Isso ampliaria quase ao infinito a capacidade de gasto do estado.

Podemos resumir a ópera desta maneira: Lara Resende propõe juros baixos e aumento do gasto estatal. Por isso soa como música aos ouvidos do PT. 

Não sou economista e não tenho a mínima condição de julgar a teoria por trás dessas propostas. O que fiz foi ouvir gente. A ideia de que Lara Resende possa servir de “fiador da política econômica” ou “tranquilizador do mercado” está completamente descartada. Uma pesquisadora que conhece bem o seu trabalho diz que ele está “descredibilizado”.

O PT provavelmente vai falar muito em responsabilidade fiscal durante a campanha eleitoral. A verdade, no entanto, é que o partido está sempre à procura de uma novíssima, novésima ou novérrima maneira de gerir a economia. Se Lula voltar ao poder, prepare-se para grandes emoções – ou recessões.

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Carlos Graieb

Carlos Graieb é jornalista formado em Direito, editor sênior do portal O Antagonista e da revista Crusoé. Atuou em veículos como Estadão e Veja. Foi secretário de comunicação do Estado de São Paulo (2017-2018). Cursa a pós-graduação em Filosofia do Direito, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

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