A lição de Lula a Trump também serve a Lula
Petista critica presidente dos EUA por falar o que lhe vem à cabeça
Ao comentar sobre o estapafúrdio plano de Donald Trump para a Faixa de Gaza, o presidente Lula (PT) afirmou nesta quarta-feira, 5, que “as pessoas precisam parar de falar aquilo que lhe vem na cabeça”, lição que também serve para si próprio, seja em assuntos nacionais, seja em assuntos internacionais.
“Os EUA participaram do incentivo a tudo que Israel fez na Faixa de Gaza. Então, não faz sentido se reunir com o presidente de Israel e dizer: ‘nós vamos ocupar Gaza, vamos recuperar Gaza, vamos morar em Gaza.’ E os palestinos vão para onde, onde vão viver? Qual o país dele?”, questionou o petista em entrevista a rádios mineiras.
“Então, é uma coisa praticamente incompreensível para qualquer ser humano. As pessoas precisam parar de falar aquilo que lhe vem na cabeça. […] Cada um governa o seu país e vamos deixar os outros países em paz”, continuou.
Lula ecoa o Hamas
Mais uma vez, Lula ecoou o discurso dos terroristas do Hamas, chamando a resposta militar de Israel ao massacre de 7 de outubro de 2023 de “genocídio”.
“O que aconteceu em Gaza foi um genocídio, e eu sinceramente não sei se os Estados Unidos, que fazem parte de tudo isso, seriam o país para tentar cuidar de Gaza. Quem tem que cuidar de Gaza são os palestinos. O que eles precisam é ter uma reparação de tudo aquilo que foi destruído, para quem possam reconstruir suas casas, hospitais, escolas, e viver dignamente com respeito.
É por isso que nós defendemos a criação do Estado Palestino, igual o Estado de Israel, e estabelecer uma política de convivência harmônica, porque é disso que o mundo precisa. O mundo não precisa de arrogância, de frases de efeito. O mundo precisa de paz e tranquilidade.”
A cabeça de Lula
Desde o ataque terrorista em território israelense em 7 de outubro de 2023, com assassinato de mais de 1.200 pessoas e sequestros de outras centenas, Lula omite:
- a natureza terrorista do Hamas;
- seu objetivo declarado de riscar Israel do mapa e eliminar judeus;
- suas práticas, portanto, nazistas, uma palavra que o petista, historicamente, explora e banaliza como ofensa contra rivais eleitorais;
- a responsabilidade do grupo sobre o começo da guerra na Faixa de Gaza, com todas as consequências nefastas de um conflito de tal magnitude e complexidade;
- o uso de escudos humanos palestinos para viabilizar agressões ao país vizinho e ganhar a guerra da propaganda na hora da reação da vítima;
- a importância da eliminação de idealizadores do massacre, como Yahya Sinwar em Gaza e Ismail Haniyeh em Teerã (neste caso, tratada pelo governo do PT como “assassinato”);
- a necessidade de uma operação militar de resgate de reféns;
- e o fato de que dezenas deles voltaram para suas famílias graças a essa reação, que pressionou e encurralou os terroristas que governam Gaza há quase 20 anos, em regime autoritário e opressor, onde nenhuma divergência interna é permitida.
Lula ainda enviou seu vice, Geraldo Alckmin, para a posse do presidente do Irã, o Estado patrocinador do Hamas e do Hezbollah, entre outros grupos terroristas que atacam Israel.
Mais do que parar de falar, Lula deveria, primordialmente, parar de fazer o que lhe vem à cabeça.
O plano de Trump para Gaza
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou na terça, 4, durante uma coletiva com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, uma proposta para que os Estados Unidos assumam o controle da Faixa de Gaza.
“Ter aquele pedaço de terra, desenvolvê-lo, criar milhares de empregos. Vai ser realmente magnífico”, disse.
“É um local em escombros. Se pudéssemos encontrar o pedaço certo de terra, ou vários pedaços de terra, e construir alguns lugares realmente bons com bastante dinheiro na região [para os palestinos], aí sim. Acho que seria muito melhor do que voltar para Gaza”, acrescentou.
Como analisou Crusoé, o plano é tão simples quanto anacrônico: fala em tirar os palestinos do território, que passará a ser controlado pelos Estados Unidos.
Seu maior problema é sugerir a remoção dos 2,2 milhões de palestinos que vivem no território.
Não há como deslocar toda essa população de uma área para outra, a menos que estejamos falando de um ditador como Josef Stalin ou da civilização inca.
Sem contar que a mera sugestão pega muito mal em termos de propaganda.
Netanyahu estava sendo acusado injustamente de genocídio, de querer exterminar a população palestina.
Agora, ele e Trump passarão a ser atacados por querer fazer limpeza étnica.
Leia mais: Estapafúrdio plano de Trump para Gaza desagrada a todos, menos Netanyahu
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