A casa de luxo na Bolívia de um chefe do PCC
Sérgio Luiz é acusado de ter planejado o assassinato do promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, de Campinas (SP)
O programa Fantástico, da TV Globo, mostrou no domingo, 7, imagens das casas de Sérgio Luiz de Freitas Filho, o Serginho Mijão, em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia.
Líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Sérgio Luiz é acusado de ter planejado o assassinato do promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, de Campinas (SP).
Segundo o programa, ele morou em condomínios no bairro Colinas del Urubó, com terrenos a partir de 450 m².
O aluguel nas casas do condomínio é cerca de 30 mil reais por mês.
Um dos imóveis de Sérgio Luiz tinha quadra de tênis, piscinas e um lago.
Segundo o promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, Sérgio Luiz foi enviado à Bolívia por Gegê do Mangue, outro líder do PCC.
“Ele foi crescendo dentro da organização”, disse Gakiya.
“Eles utilizam a Bolívia como um hub, como um local em que não são incomodados pelas autoridades locais. Alguns têm restaurantes, boates e residem em condomínios extremamente luxuosos”, acrescentou.
Sérgio Luiz está em Santa Cruz de La Sierra para fiscalizar o envio de pasta base de cocaína ao Brasil.
“Leva uma vida normal”
Ao Estadão, Gakiya disse ao agosto que Sérgio Luiz “leva uma vida normal, como se fosse cidadão de bem”, na Bolívia.
“Embora provavelmente já não esteja morando no mesmo endereço, ele está vivendo livremente em Santa Cruz de La Sierra”, acrescentou.
“Ele tem mandado de prisão a ser cumprido, está na lista de difusão vermelha da Interpol, mas vive livre lá. O Tuta [Marcos Roberto de Almeida, liderança do PCC] foi preso lá também, em Santa Cruz, inclusive está para ser mandado de volta para São Paulo. É um processo meu, que eu denunciei, e quando ele foi preso, estava acompanhado por um major da polícia, das forças especiais, que acabou sendo preso depois. Eles compram a própria proteção da polícia lá e conseguem viver livremente”, continuou.
O plano do PCC para matar promotor
A Polícia Militar de São Paulo prendeu em 29 de agosto dois empresários acusados de financiar um plano do Primeiro Comando da Capital (PCC) para matar o promotor Amauri Silveira Filho, do Ministério Público de Campinas (SP).
As investigações apontam que o comandante de uma polícia de São Paulo, cujo nome não foi divulgado, também estava entre os alvos da facção criminosa.
Foram presos os empresários Maurício Silveira Zambaldi, o Dragão, e José Ricardo Ramos. Eles atuam nos setores de comércio de veículos e transporte.
A Justiça de Campinas também expediu mandado de prisão para Sérgio Luiz de Freitas Filho, o Mijão.
O promotor de Justiça Marcos Rioli afirmou que o plano de execução foi descoberto em 27 de agosto.
O objetivo da facção era interromper as investigações sobre os crimes cometidos pela organização criminosa na região, como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e organização criminosa armada.
Além da contratação de operadores para criar uma emboscada ao promotor Amauri Silveira Filho, os Maurício Zambaldi e José Ramos teriam financiado e providenciado a aquisição de veículos e armamentos.
Sérgio Luiz é apontado como um dos principais articuladores do plano.
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