100 anos de sigilo até para a lista de passageiros do jato de Vorcaro
A FAB foi questionada sobre o plano de voo da aeronave que seria usada pelo banqueiro para ir à Europa, caso não tivesse sido preso em novembro de 2025
A Força Aérea Brasileira (FAB) impôs sigilo de até 100 anos sobre a lista de passageiros do jato Falcon 7X, prefixo PS-FST, aeronave pertencente à Viking Participações Ltda., empresa ligada a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, publicou o Metrópoles.
Invocando o artigo 31 da Lei de Acesso à Informação (LAI), que estabelece o sigilo centenário, o Comando da Aeronáutica alegou ser preciso proteger “a intimidade e a vida privada”.
“O itinerário de uma aeronave individualizada, em datas determinadas, permite associar deslocamentos aos dirigentes, sócios e demais usuários da aeronave, pessoas naturais identificáveis mediante o cruzamento com registros públicos. A proteção, portanto, alcança a intimidade e a vida privada desses titulares”, disse a Força.
“Ademais, o histórico individualizado de planos de voo de uma mesma aeronave, em sequência, permite o rastreamento retrospectivo e a construção de perfil de deslocamento dessas pessoas, o que agrava a afetação à intimidade e à vida privada”, acrescentou.
A FAB foi questionada sobre o plano de voo da aeronave entre 10 e 20 de novembro de 2025, intervalo no qual Vorcaro foi preso no Aeroporto de Guarulhos.
Na ocasião, o banqueiro estava prestes a embarcar rumo a Malta, na Europa.
Governo Lula e o sigilo de 100 anos
Durante a campanha presidencial de 2022, mais precisamente em junho, Lula (PT) prometeu revogar os sigilos aplicados na gestão de Jair Bolsonaro.
“É uma coisa que nós vamos ter que fazer: um decreto, um revogaço desse sigilo que Bolsonaro está criando para defender os amigos”, afirmou.
Contudo, o governo Lula continuou fazendo uso indiscriminado do sigilo de 100 anos previsto na lei brasileira.
Dados divulgados por O Globo mostram que, entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024, 3.210 pedidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) foram negados com base em sigilo de dados pessoais, um aumento de 8,4% em relação às 2.959 negativas registradas no mesmo período do governo Bolsonaro.
Os documentos sob sigilo incluem a lista de visitantes da primeira-dama, a Janja, e a relação dos militares que atuaram no dia dos ataques de 8 de janeiro de 2023.
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