Uma imensa Gilmarlândia
Um município no interior do Mato Grosso parece muito pouco para quem influencia os rumos de um país inteiro há décadas
A história é tão perfeita que parece mentira: articula-se no norte do Mato Grosso a criação de uma cidade em homenagem ao decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes (foto).
Projeto idealizado pelo empresário rural Eraí Maggi, “Nova Aliança do Norte” — ou “Gilmarlândia”, como foi apelidada — ficaria localizada entre Diamantino e São José do Rio Claro, região onde nasceu o ministro do STF mais influente das últimas décadas.
Enquanto Lula foi homenageado com um desfile de Carnaval digno de rebaixamento, Gilmar será eternizado por meio da criação de um município que, se for administrado como a maioria do país, também não entrará para a história exatamente como uma honraria.
Moldaram o Brasil
O presidente e o decano do STF são dois dos atores que moldaram o Brasil atual e, portanto, as homenagens parecem óbvias. O fato de que sejam pensadas e executadas enquanto ambos estão vivos e atuando politicamente escancara a tragédia brasileira moldada por eles.
Gilmar, que diz conversar “com todos os lados” da política brasileira, admitiu publicamente, em entrevista, que conduziu o STF a mudar o entendimento que autorizou prisão após condenação em segunda instância após uma “leitura política” da situação do país.
A leitura política tirou Lula da cadeia antes mesmo de o Supremo anular suas condenações na Operação Lava Jato, o que permitiria ao petista voltar à Presidência da República em 2022.
Pedra fundamental
O decano do STF participou no sábado, 21, da cerimônia de lançamento da pedra fundamental do futuro município e disse à imprensa que acha “importante essa iniciativa de se ter um núcleo de apoio para as famílias e pessoas que trabalham nessa região”.
“Nós já temos a experiência da Deciolândia, e agora temos esse projeto que há muito era sonhado pelo Eraí Maggi e acho que agora começa a ter desdobramentos”, disse o decano do STF na ocasião, para quem o projeto “precisa de ter um esforço bastante grande de todas as pessoas e todas as instituições, porque o que se busca é instalar escolas, instalar espaços de lazer para as pessoas, espaços de tratamento de saúde para as pessoas que eventualmente trabalham ou até moram nessas cercanias”.
Afora o fato de que o Brasil já tem municípios até demais, cada um com uma onerosa estrutura de funcionalismo e suspeitas de corrupção, a pretensão de oferecer aparelhagem pública nos rincões do país não é condenável em si.
No que diz respeito à homenagem, contudo, um município no interior do Mato Grosso parece muito pouco para quem vem influenciando os rumos de um país inteiro há tanto tempo.
Leia mais: Só Deus salva o STF?
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Comentários (1)
Rosa
24.02.2026 13:14Disgusting!