Um petista no Ministério da Segurança Pública seria um escárnio
Camilo Santana e Rui Costa governaram estados com péssimos resultados em segurança; é escandaloso que sejam cogitados para comandar a nova pasta
Lula promete instituir ainda nesta semana o Ministério da Segurança Pública. É um escárnio que entre os nomes cotados para assumir a pasta estejam os petistas Camilo Santana e Rui Costa, respectivamente ex-governadores do Ceará e da Bahia, estados conhecidos por seus resultados abismais em segurança.
Santana e Costa governaram entre 2015 e 2022. Ambos fizeram sucessores do PT. Não podem se desvincular das políticas que levaram essas duas unidades da federação ao topo do ranking de mortes violentas do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Em 2025, a Bahia registrou 3.765 ocorrências desse tipo e liderou as estatísticas. O Ceará veio logo atrás, com 2.976 mortes violentas. Em ambos os casos, houve alguma melhora em relação ao ano anterior, mas isso não autoriza dizer que os estados são exemplos de sucesso no enfrentamento ao crime.
Crime organizado
Mais significativa é a maneira como o crime organizado se infiltrou nos dois estados durante os governos do PT.
A ascensão do Comando Vermelho nas cidades cearenses coincide com o primeiro mandato de Camilo Santana.
A Bahia, por sua vez, é uma das unidades da federação com maior número de facções mapeadas. São 21 grupos criminosos guerreando por territórios, não apenas nas grandes cidades, mas também em recantos que, até recentemente, eram pacíficos.
Falta de autoridade
Um dos principais objetivos do Ministério da Segurança Pública é coordenar ações e recursos a nível nacional. Qual a autoridade dos dois políticos petistas para comandar esforços de integração se os estados que lideraram são exemplos retumbantes de fracasso em segurança pública?
Santana e Costa não são os únicos aventados para a nova pasta. Talvez nem sejam os nomes no topo da lista. Fala-se, por exemplo, do promotor Lincoln Gakia, com larga experiência no combate às facções mais violentas do Brasil.
Mas repito: a mera menção aos dois petistas é escandalosa. É mais um sinal da velha arrogância petista. Pior ainda, pode ser indicação de que Lula, em seu derradeiro mandato, não está disposto a abrir o governo para contribuições externas – inclusive em áreas onde seu partido já demonstrou não ter nada de bom para oferecer ao país.
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