Um Partido Liberal contra a liberdade
PL ofereceu ao TSE uma oportunidade de aumentar seu controle sobre o processo eleitoral, e os ministros dificilmente resistirão à tentação
O discurso ideológico dos políticos no Brasil é frágil, maleável e oportunista, mas alguns momentos de contradição se destacam pela distância entre o que é pregado ou prometido e o que é feito.
O governo Lula, por exemplo, se apresentou duas vezes como solução para as dívidas dos brasileiros, por meio do programa Desenrola, mas a gestão do petista empurrou a população para contrair essas dívidas, agravadas pela taxa básica de juros recorde alimentada pelos gastos federais, e o próprio governo vai entregar o país em 2027 com 14 pontos percentuais a mais de dívida pública.
Esse mesmo governo aumentou o peso dos impostos sob o discurso malandro da “justiça tributária” e, diante da impopularidade colhida, resolveu suspender até o fim da eleição a taxa das blusinhas.
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Liberal?
Outro caso gritante de contradição é o pedido do Partido Liberal (PL) para suspender a primeira pesquisa que mostrou seu pré-candidato à Presidência da República perdendo intenções de voto após a revelação de suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, patrocinador do filme Dark Horse.
Os membros do PL alegam que se trata de uma questão de isonomia, mas é muito difícil convencer alguém disso. O fato é que, ao pedir a suspensão da pesquisa, os alegados liberais estavam tentando conter o dano da associação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ, à esquerda na foto) com o escândalo do Banco Master — e as pesquisas seguintes só confirmaram o dano.
Ao pedir a suspensão, o PL ofereceu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma oportunidade de aumentar seu controle sobre o processo eleitoral, e os ministros dificilmente resistirão à tentação.
“Família em conserva”
O advogado do instituto AtlasIntel, cujo levantamento foi suspenso a pedido do PL, deixou claro durante o julgamento no TSE, que foi interrompido por um pedido de vista da ministra Estela Aranha, o oportunismo do partido ao mencionar outra pesquisa, feita em fevereiro.
Os bolsonaristas alegaram que Flávio foi desfavorecido pelas perguntas que tentavam medir o impacto de suas mensagens pedindo dinheiro de Vorcaro para o filme sobre Jair Bolsonaro.
Mas a pesquisa de fevereiro do instituto se concentrou no desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem a Lula. A AtlasIntel perguntou até sobre o conhecimento acerca da alegoria “Família em conserva”, que satirizou os conservadores e causou problema para o petista com o eleitorado evangélico. Naquele levantamento, os lulistas poderiam ter alegado que foram prejudicados.
Efeito inibidor
A partir da provocação do PL, a perspectiva é de que os institutos de pesquisa terão menos liberdade para questionar os eleitores, porque os critérios para tentar impugnar as sondagens e evitar que elas venham a púbico serão ampliados.
Esse pode se tornar mais um “efeito inibidor”, para usar a expressão utilizada pelo ministro André Mendonça ao criticar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de responsabilizar as plataformas de rede social pelos conteúdos publicados por seus usuários.
Assim, fica mais difícil convencer o eleitor de que o PL é uma alternativa liberal de verdade.
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Comentários (2)
Junior
15.06.2026 05:32Missão...14
Annie
14.06.2026 11:38Esse partido liberal vai reeleger Lula.