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Sem fronteiras, não há país

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Alexandre Borges
7 minutos de leitura 01.10.2025 09:18 comentários
Análise

Sem fronteiras, não há país

Explosão migratória pressiona salários, moradia e serviços; o Ocidente precisa recuperar o senso comum, proteger a classe média e exigir assimilação

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Alexandre Borges
7 minutos de leitura 01.10.2025 09:18 comentários 2
Sem fronteiras, não há país
Foto: Reprodução
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Portugal vive uma explosão migratória. Em sete anos, o número de estrangeiros saltou de cerca de 480 mil para 1,5 milhão de pessoas, cerca de 15% da população. Brasileiros já passam de 500 mil. Em 2022–2023, o salto foi de 33,6% em um único ano.

Os efeitos são visíveis. Preços de imóveis mais que dobraram desde 2017. Um em cada quatro inquilinos compromete 40% ou mais da renda com aluguel. A população em situação de rua em Lisboa se aproximou de 11 mil pessoas, com estrangeiros perto de 10% do total. Hospitais e escolas operam no limite.

O caso português não é isolado.

A França tem hoje 13% de população nascida no exterior. A Alemanha tem incríveis 26% e a Suécia, nada menos que 25,5%. Um em cada quatro habitantes e com uma taxa de natalidade muito superior. No Reino Unido, 25 deputados muçulmanos foram eleitos em 2024, um crescimento de 31% em apenas 5 anos

A pergunta se impõe: uma nação pode sobreviver sem fronteiras?

É possível preservar instituições democráticas, estado de direito e coesão social quando a identidade do povo é substituída por uma engenharia social autoritária e insensível, ditada por elites desconectadas do interesse da população? Como o Ocidente chegou a esse ponto?

Imigração com assimilação é bem-vinda e desejável, aqui e em qualquer lugar. Explosão migratória sem integração é suicídio.

A primeira incorpora de maneira natural e orgânica quem escolheu mudar de país, quem abre mão de sua origem em nome de uma nova comunidade, aquela a qual ele e sua família desejam ser integrados.

A segunda balcaniza a sociedade, esgarça o tecido social, cria guetos raivosos e violentos, reforça “identidades” e criminaliza a assimilação, transformando imigração em invasão cultural, econômica e política.

O filósofo Roger Scruton lembra que a nação não é invenção de burocratas, mas uma comunidade natural: vizinhos que compartilham território, língua, memória e instituições.

É essa “lealdade pré-política” que torna possível a democracia. Sem ela, não há confiança, não há consenso, apenas facções rivais em luta constante. Scruton chama isso de patriotismo, o que não se confunde com sua versão preconceituosa, xenófoba e paranoica.

O que é o Ocidente?

O Ocidente é uma civilização com fundamentos claros. A tradição judaico-cristã afirma a dignidade e a sacralidade de cada pessoa, o valor do trabalho, a responsabilidade e a obrigação moral de cuidar do próximo.

A civilização ocidental nasceu de uma síntese única: a fé judaico-cristã, a filosofia grega e o direito romano. 

A Igreja Católica preservou o saber clássico, fundou e patrocinou as universidades e as instituições que funcionam como pilares do mundo atual, popularizou o método científico e moldou a moral que sustenta a ordem social que conhecemos e celebramos, ou deveríamos celebrar.

A ciência nasceu nesse ambiente único na história da humanidade. A ideia de um universo ordenado por um Deus racional justificou a procura das leis na natureza. Os acadêmicos que moldaram o pensamento ocidental eram clérigos ou formados em instituições eclesiásticas. Hospitais, albergues e redes de caridade foram organizados como dever público inspirado pela fé católica e na sacralidade da vida.

Essa herança construiu a sociedade mais livre, próspera e solidária da história.

Não por acaso, o Ocidente sempre atraiu migrantes. Mas a imigração só deu certo quando houve assimilação, isto é, quando os recém-chegados adotaram naturalmente a língua, os costumes e a lealdade nacional do país que os recebeu, mesmo preservando com alguma nostalgia alguns ritos e tradições das sociedades que deixaram para trás.

A Rebelião das Elites

Ao longo do último século, as elites do Ocidente se afastaram do próprio povo.

Christopher Lasch descreveu esse processo como a “rebelião das elites”: classes dirigentes que romperam com as comunidades que sustentam seu poder e riqueza. Christophe Guilluy mostrou como elas se refugiaram em grandes metrópoles globalizadas, protegidas da violência e do desemprego, enquanto terceirizavam para a classe média os custos da imigração em massa.

O Fórum Econômico Mundial de Davos, sede informal do governo mundial dos sonhos dos globalistas, promove sistematicamente fronteiras escancaradas. George Soros investiu bilhões financiando ONGs pró-migração desenfreada.

É o que Scruton chamou, com propriedade, de oikofobia, o repúdio à própria herança cultural que leva a elite a enaltecer o diferente apenas por ser diferente e desprezar seus compatriotas apenas por serem próximos.

Este sentimento foi acompanhado de um projeto claro de engenharia social.

Nos Estados Unidos, mais de 60% dos imigrantes utilizam benefícios sociais, contra menos de 40% dos americanos.

O censo de 2020 mostrou que a imigração deslocou 17 cadeiras na Câmara dos Deputados e votos no Colégio Eleitoral, alterando o equilíbrio político do país.

Na Europa, bairros inteiros já vivem sob códigos paralelos de conduta, sem assimilação real à cultura ocidental. Os serviços públicos, da saúde à habitação, colapsam sob a pressão da chegada maciça de estrangeiros.

Não é de hoje

Não é de hoje que chamo a atenção para esses riscos.

Em 2017, quando esse processo estava a todo vapor, escrevi na Folha de S.Paulo o artigo “A nova Lei de Migração traz riscos ao Brasil? SIM”.

Alertei que abrir as portas sem critério não era um gesto humanitário, mas uma temeridade. O tempo mostrou que estava certo: a explosão migratória virou ferramenta política e econômica para destruir a classe média, baratear salários e criar massas dependentes do Estado.

Aisha Dodwell, em artigo publicado pelo Democracy Without Borders também em 2017, disse que fronteiras são “apartheid global”, mantendo os pobres do Sul longe das oportunidades do Norte. É claro que não se pergunta seriamente o motivo do Ocidente ter essas oportunidades.

Essa comparação é falsa e absurda.

O apartheid foi um sistema abjeto de segregação contra cidadãos dentro do mesmo território. Fronteiras, ao contrário, são um direito soberano de qualquer nação, a base de sua democracia.

Países ficaram ricos porque construíram instituições sólidas, Estado de Direito, cultura de responsabilidade individual. Destruir essas conquistas não enriquece pobres, pelo contrário, empobrece a todos.

É claro que fui atacado e minhas palavras distorcidas por gente desonesta e covarde que, como eu havia previsto para a própria Folha quando fui convidado para fazer o artigo, tentou colar na minha testa o rótulo de xenófobo.

Na falta de argumentos, canalhice. Se acharam que iam me calar ou intimidar, estavam enganados. Estava só começando.

Portugal apenas recupera o bom senso.

O Ocidente precisa fazer o mesmo. Defender fronteiras é retomar a sanidade. É proteger a cultura que gerou liberdade, prosperidade e dignidade para bilhões. É preservar o direito de seus povos de continuar existindo.

Grandes corporações defendem a entrada indiscriminada de mão de obra para baixar salários, enquanto o contribuinte financia a sobrecarga de serviços públicos. Quem perde é a classe média, eixo moral e político das democracias.

Há uma dimensão eleitoral mensurável.

Nos Estados Unidos, 24 milhões de imigrantes naturalizados já são cerca de 10% do eleitorado. São em torno de 800 mil novos cidadãos importados por ano. Em estados-chave como Geórgia, Nevada e Arizona, a estratégia já alterou o perfil eleitoral e o resultado das eleições.

Os países ocidentais não precisam pedir desculpas por existirem.

Sem fronteiras, não há países. Com fronteiras e assimilação, há futuro para seus povos e para o imigrante que escolheu integração e um futuro melhor.

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Comentários (2)

Márcio Roberto Jorcovix

01.10.2025 18:44

O problema é como reverter esta dependência dos imigrantes que foi criada para diversas atividades como faxina, construção civil, motorista, agricultura, etc. O europeu é americano nativo não quer mais fazer estas tarefas porque hoje ganha pouco, é “humilhante” e por aí vai. Ao estancar ou reverter este ciclo o país quebra a cadeia produtiva. Não é nada fácil fazer isto, Tem que ser muito bem Planejado


Eliane ☆

01.10.2025 15:56

Que texto maravilhoso!


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Márcio Roberto Jorcovix

01.10.2025 18:44

O problema é como reverter esta dependência dos imigrantes que foi criada para diversas atividades como faxina, construção civil, motorista, agricultura, etc. O europeu é americano nativo não quer mais fazer estas tarefas porque hoje ganha pouco, é “humilhante” e por aí vai. Ao estancar ou reverter este ciclo o país quebra a cadeia produtiva. Não é nada fácil fazer isto, Tem que ser muito bem Planejado


Eliane ☆

01.10.2025 15:56

Que texto maravilhoso!



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