Roberto Reis na Crusoé: A guerra dos reinos e as eleições 2026
O antipetismo virou estrutural e será medido nas pesquisas do fim deste primeiro trimestre
O rei Carlos II da Espanha morreu em 1700 e o mundo caiu em cima do seu cadáver político.
Ele não era só um homem, era um mapa inteiro com territórios, colônias, rotas, cargos, ouro, comércio e influência.
E o problema não foi a sua morte, foi a ausência de um herdeiro. Quando um rei morre sem filho, o luto vira um teatro sem relevância.
Todo mundo começa a contar as moedinhas do espólio. Cada potência finge respeito, mas já está escolhendo seu candidato a sucessor.
O testamento pode até apontar um nome, e quase nunca resolve. Só acende o pavio.
Agora traga isso para o Brasil, eleições 2026.
A guerra não é “quem vai ser rei”. É “quem fica com o sistema”.
Você deve achar que eu estou falando de Bolsonaro.
E, sim, existe uma disputa ali. Filhos, esposa, governadores, senadores, deputados aliados, partidos tentando herdar o espólio emocional de um movimento que ainda tem fidelidade.
Mas a sucessão realmente importante é outra. Maior, mais antiga. E com um detalhe idêntico ao de Carlos II: não tem herdeiro oficial.
É o legado de Lula. O petista virou o eixo do século político do Brasil.
Um ciclo longo, um método de poder já cansado, um jeito de organizar coalizão hoje desgastado, uma narrativa copiada até pelo bolsonarismo, um orçamento frágil, uma continuidade de sobrevivência duvidosa.
Toda dinastia tem a tal regra simples: precisa preparar o depois. Mas Lula não preparou ninguém, de propósito.
Não quer um sucessor maior ou melhor do que ele. É o que dizem os mais próximos: “PT é igual pé de manga, não cresce nada embaixo”.
Há nomes bons na esquerda. Gente competente, jovem, treinada. Rafael Fonteles, governador do Piauí. Camilo Santana, ministro da Educação. João Campos, prefeito do Recife.
Mas nesse caso, competência não é coroa…
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Comentários (1)
Dessas opções, preferiria o governador Ratinho Jr!