Por trás da volta de Jimmy Kimmel à TV
Os bastidores do retorno do programa de Jimmy Kimmel: negociações internas, pressão política e quebra de exibição em grandes estações
Desde que foi suspenso “indefinidamente” após comentários polêmicos feitos por Jimmy Kimmel sobre algumas reações ao assassinato de Charlie Kirk, o talk show enfrentou uma crise que envolveu pressão política do governo federal e da FCC, acusações de censura, insatisfação de parceiros de rede e risco para sua continuidade.
A suspensão foi anunciada em 17 de setembro, quarta-feira passada, depois que algumas redes de estações administradas por grandes grupos como Nexstar e Sinclair e afiliadas à ABC, a emissora do programa, decidiram deixar de exibir o programa, considerando os comentários ofensivos e insensíveis.
Por essas mesmas estações, teria sido exigido que o apresentador se desculpasse formalmente à família de Kirk e fizesse uma doação pessoal importante para a família do ativista, segundo informações da revista People.
Nos bastidores, a Walt Disney Company, dona da rede ABC de televisão, enfrentou uma encruzilhada, pois via a necessidade de responder à expressão pública de choque de afiliadas, conservadores e reguladores e, ao mesmo tempo, enxergou o risco de perder grandes parcelas da indústria do entretenimento, do público liberal e de grupos de defesa da liberdade de expressão.
As conversas internas entre executivos da Disney e o próprio Kimmel foram descritas como “thoughtful conversations” (conversas cuidadosas), conforme o comunicado do grupo Walt Disney na segunda-feira, com a empresa avaliando que a melhor forma seria retomar o programa na terça-feira (23), sem escalar ainda mais o conflito.
Ainda segundo a People, os funcionários do programa foram informados pela produção via e-mail na própria segunda. A reação da equipe teria sido de alívio e alegria, segundo essa fonte interna. Semana passada, vários desses mesmos funcionários receberam ameaças de morte em seus e-mails e celulares, segundo a CNN.
Só que esse retorno não amarrou todas as pontas soltas nem resolveu todos os pontos de tensão. As redes Nexstar e Sinclair mantiveram a decisão de não exibir o programa, o que restringe a cobertura dele em importantes mercados regionais.
Esse desfalque pesa sobre a distribuição e sobre o alcance publicitário, criando uma situação em que a volta de um talk show nacional terá que conviver com buracos regionais importantes, ao menos até chegarem a um acordo.
Nos corredores da indústria do entretenimento americano, a avaliação é que esse cenário expõe a vulnerabilidade estrutural das redes de TV abertas, que ainda dependem muito da adesão de suas afiliadas para manter coesão e força de mercado.
Será necessário aguardar para ver se a volta de Jimmy Kimmel, certamente com uma mensagem a respeito do ocorrido, apaziguará seus críticos, a situação com as afiliadas e conservadores e com sua própria emissora, sem desagradar o seu público fiel.
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