Por que a rejeição a Tarcísio subiu?
A rejeição ao governador Tarcísio de Freitas avançou de 33% para 39%, os mesmos 6 pontos percentuais que Lula percorreu no sentido oposto
Nos dados mais recentes da pesquisa Genial/Quaest, realizada entre 13 e 17 de agosto, e divulgada na quarta-feira, 20, o presidente Lula viu sua rejeição recuar de 57% em maio para 51% em agosto, enquanto a aprovação subiu de 40% para 46% no mesmo período.
Em paralelo, a rejeição ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, avançou de 33% para 39%, exatamente os mesmos 6% que Lula percorreu no sentido oposto.
Essa virada estatística pode ter diferentes explicações: a percepção de melhora econômica, com queda nos preços dos alimentos e ampliação do poder de compra alivia o sentimento de descontentamento com o presidente.
Ao mesmo tempo, a postura firme de Lula diante das tarifas de 50% impostas por Donald Trump foi majoritariamente interpretada como um ato de defesa de soberania nacional, fortalecendo sua aura de liderança em crise diplomática.
No contraponto, Tarcísio de Freitas sofreu desgaste justamente mais próximo à sua base, por sua atuação diante do tarifaço.
Ele se colocou como interlocutor junto aos EUA, em Brasília e com diplomatas americanos, numa movimentação vista como oportunismo diplomático, sem alinhamento claro à agenda da bolsonarista, sobretudo em temas sensíveis como anistia ou confronto com o STF.
Essas iniciativas desencadearam críticas públicas de figuras como Eduardo Bolsonaro, que chegou a acusá-lo de “nunca ter ajudado” na defesa de temas caros ao bolsonarismo e de ser oportunista no trato da crise tarifária.
Sua não condenação explícitas às tarifas e volta da circulação nas redes de imagens do governador vestindo o boné de Trump após este ser eleito presidente no começo de 2025 dizendo “grande dia”, podem ter tido impacto negativo junto a um público mais moderado.
Outro fator a ser considerado é que, quanto mais se de Tarcísio como provável candidato presidenciável, mais um público que não tinha opinião formada sobre ele, mas que está avaliando Lula de forma mais positiva, passa a analisá-lo de forma mais crítica.
Essa pesquisa mostra um quadro de momento, indicando que a queda na rejeição a Lula refletiria, a conjugação de bons sinais econômicos e habilidade política nesse contexto de crise externa.
A alta da rejeição a Tarcísio parece resultado de sua exposição no episódio das tarifas, que soou para parte do eleitorado de direita como desalinhada ou desconectada do espírito oposicionista que tenta representar, aparentemente sem um contraponto de agradar àqueles fora desse espectro.
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Comentários (5)
GERALDO CARVALHO
24.08.2025 10:08Tarcisio está sendo vítima dos fanáticos devotos de Bolsonaro. Eles vão atacá-lo como fizeram com João Doria. Esse povo radical Bolsonarista é igual petista com sinal trocado. Devotam uma fé cega a um sujeito incapaz, paranóico e psicopata que nunca conseguiu sentar numa reunião para discutir um problema.
FRANCISCO JUNIOR
22.08.2025 19:26Devemos "agradecer" (culpar) os bolsonaros por agora estarem denegrindo a imagem do Tarcísio, o único que pode chegar perto do Lula. "Parabéns" aos bolsonaros. E também ao próprio, que se sujeita aos caprichos do 'mito'.
ALDO FERREIRA DE MORAES ARAUJO
21.08.2025 19:18Diante da corrupção de Lula e da petralhada em geral mais do que escancarada no Mensalão, Petrolão e vários outros escândalos menos comentados, não consigo entender como uma parcela tão considerável da população pode tê-lo como candidato a qualquer coisa, É ser leniente demais com a corrupção. Tenho vergonha de ser brasileiro.
MARCEL SILVIO HIRSCH
21.08.2025 11:58Tarcísio insiste em se grudar no bolsonaro. Vou de Eduardo Leite.
Luis Eduardo Rezende Caracik
21.08.2025 11:57Penso que a rejeição subiu porque se mostrou fraco e dependente perante Bolsonaro, e submisso em relação a Trump. Se tiver a coragem de declarar que não concederia indulto a Bolsonaro e defendesse a solução diplomática nos impasses com os Estados Unidos, recuperaria o que perdeu e talvez avançasse mais alguns pontos. Se é frouxo diante de um cavalo morto como Bolsonaro, como será, se eleito presidente, com os cavalos vivos que encontrará pela frente na câmara, no senado e diante personagens como Malafaia e Costa Neto?