O que Eduardo Bolsonaro queria esconder de Trump?
O que revela a frase “torce para a inteligência americana não levar isso aqui ao conhecimento do Trump” de Eduardo Bolsonaro?
“Torce para a inteligência americana não levar isso aqui ao conhecimento do Trump”. Essa frase emerge do relatório da PF como peça-chave para entender o método político de Eduardo Bolsonaro de gerir percepções no entorno do presidente dos EUA e tentar blindar fissuras independentistas da direita brasileira que pudessem comprometer sua estratégia pessoal.
O registro consta do material encaminhado ao STF e associado às mensagens trocadas entre pai e filho, nas quais Eduardo tenta controlar a reação pública e preservar sua influência junto a Donald Trump.
O contexto é a ofensiva de Eduardo para capitalizar o tarifaço de 50% anunciado por Trump contra o Brasil, cobrando do pai um “tweet vaselina” de agradecimento e tentando transformar a medida em ativo político.
A PF situa essas conversas em 10 de julho de 2025, horas após as ligações entre Jair e Eduardo. A preocupação explícita com a inteligência americana, o que sugere duas possibilidades.
A primeira seria um temor de Eduardo de estar sob vigilância do governo americano. A segunda, bem mais provável, é sua preocupação de que, se enxergada a desunião interna, especialmente na disputa com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, a narrativa de união construída em Washington perderia respaldo.
Só que as mensagens também mostram o que seria uma campanha de Eduardo para desmoralizar Tarcísio como potencial presidenciável, o carimbando como ingrato e distante das batalhas judiciais do bolsonarismo.
Em 11 de julho, Eduardo envia ao pai uma cronologia prejudicial ao governador, reforçando a ideia de que qualquer ascensão de Tarcísio fragilizaria a equivalência simbólica Tarcísio = Bolsonaro no imaginário de aliados nos EUA.
É uma engenharia de coalizão por atrito: isolar rivais internos enquanto se busca a chancela americana.
Para a PF, as mensagens mostram que Jair e sobretudo Eduardo tentaram manipular Trump para ganho político, o que pode configurar obstrução e coação, justamente os crimes pelos quais foram indiciados.
O relatório aponta que, logo após o anúncio das tarifas, Eduardo pediu um agradecimento público ao americano e atacou Tarcísio para desgastar sua imagem, usando a política externa como arma na disputa interna, com risco calculado de Trump ficar sabendo e se sentir usado como peça numa briga interna do bolsonarismo com setores da direita.
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Comentários (1)
Marcelo Euripedes da Silva
21.08.2025 10:51É ridículo pensar que Eduardo enganou Trump é que esse último está sendo usado. Trump já queria fazer isso, por inúmeros fatores. Eduardo está somente facilitando, produzindo relatórios. E convenhamos as ilegalidades do STF são inúmeras, as práticas de corrupção são inúmeras. Eduardo não precisa manipular, precisa apenas mostrar a realidade.