PL brinca com fogo ao usar Bolsonaro de IA
Campanha de Flávio Bolsonaro fica exposta de forma desnecessária por um ‘ato de resistência política’
O vídeo produzido pelo PL por inteligência artificial para reproduzir Jair Bolsonaro durante a convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro parecia, à primeira vista, resolver um problema político: manter o principal cabo eleitoral do bolsonarismo presente em um momento decisivo da campanha, apesar das restrições judiciais impostas ao ex-presidente pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Em poucas horas, porém, o expediente passou a representar um problema potencialmente maior do que aquele que pretendia contornar.
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A ação protocolada pela federação formada por PT, PCdoB e PV no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) inaugura um teste importante para a Justiça Eleitoral em 2026: até que ponto a inteligência artificial pode ser utilizada para reproduzir um líder político sem que isso configure uma fraude às regras eleitorais ou um mecanismo para burlar decisões judiciais?
E eis que, aqui, o caso possui duas camadas distintas.
A primeira diz respeito às regras eleitorais. Desde a minirreforma promovida pelo TSE para disciplinar o uso da inteligência artificial, os chamados deepfakes passaram a receber tratamento especialmente rigoroso. A preocupação da Corte sempre foi impedir que conteúdos sintéticos alterassem artificialmente a percepção do eleitor, sobretudo quando simulam a fala ou a imagem de uma pessoa para influenciar o voto.
É justamente esse argumento que sustenta a representação apresentada pelo PT. A legenda afirma que o vídeo, ao colocar um Bolsonaro virtual declarando apoio ao filho e associando seu nome diretamente à disputa presidencial, extrapola os limites permitidos para o uso da tecnologia e caracteriza propaganda eleitoral irregular.
Mas há um segundo aspecto, politicamente mais sensível.
Jair Bolsonaro encontra-se submetido a restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, entre elas limitações para utilização de redes sociais e manifestações políticas públicas. Ainda que o vídeo tenha sido produzido por inteligência artificial, será difícil evitar questionamentos como: o conteúdo expressa uma manifestação política do ex-presidente? E ele deu aval para isso? E o fato de não ter dado aval, pode isentá-lo de responsabilidade?
“Então, usar esse expediente uma vez, duas vezes não configura abuso. Configura motivo para multa eleitoral. Agora, reiteração sobre isso, aí é abuso e pode resultar em uma cassação de registro. Depois vão reclamar de perseguição”, declarou o advogado eleitoral Arthur Rollo ao programa Meio-Dia em Brasília de O Antagonista nesta segunda-feira.
Eduardo Bolsonaro disse nas redes sociais nesta segunda-feira que o Bolsonaro de IA foi um ato de resistência política. Pode até ser, mas o PL e Flávio Bolsonaro estão brincando com fogo e testando a paciência da Justiça Eleitoral. Depois, se o TSE for duro com essa turma, eles não terão do que reclamar.
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