Parem de banalizar o grave e criminalizar o banal

05.10.2026

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O Antagonista
Parem de banalizar o grave e criminalizar o banal
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Ricardo Kertzman
3 minutos de leitura 06.06.2025 09:55 comentários
Análise

Parem de banalizar o grave e criminalizar o banal

Um pênalti mal marcado, obviamente, não é um crime. Portanto, como criminalizar quem assim o adjetiva?

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Ricardo Kertzman
3 minutos de leitura 06.06.2025 09:55 comentários 2
Parem de banalizar o grave e criminalizar o banal
Foto: Reprodução/Twitter

A esquerda brasileira – e em parte mundial – transformou “fascista” e “nazista” em insultos genéricos e infantis a cada opinião e manifestação políticas contrárias aos seus dogmas mofados, esvaziando o peso histórico dessas catástrofes humanitárias, que ceifaram a vida de milhões de pessoas mundo afora.

Quaisquer críticas aos governos petistas, por exemplo, são rotuladas com esses adjetivos, desrespeitando as vítimas reais dos regimes totalitários. Essa banalização mina o entendimento do que realmente foram o fascismo e o nazismo. Além de indevida, é contraproducente aos próprios propósitos “progressistas”.

Do outro lado, a direita bolsonarista clama “perseguição política” sempre que um de seus membros enfrenta a Justiça. Carla Zambelli, por exemplo, tornou-se alvo da Interpol por invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com o auxílio de um hacker criminoso. Condenada a dez anos de prisão, foragida na Itália, alega perseguição.

Bananinha americana

Já Eduardo Bolsonaro se mandou para os EUA em autoexílio midiático. Sustentado por R$ 2 milhões enviados pelo papis Jair, também se declara um perseguido político no Brasil. Essas alegações infundadas poderão – e podem -, descredibilizar casos graves de reais perseguições políticas que, sim, ocorrem no país.

Enquanto isso, o sistema judicial brasileiro mantém-se seletivo. Um inquérito, por ordem do ministro da Justiça Ricardo Lewandowski,  foi aberto contra uma mulher que, de dentro do carro, com um megafone gritou “ladrão” em frente à casa de Lula em São Paulo. Nenhuma ameaça, apenas um desabafo legítimo, mas suficiente para a ação policial.

Esse tema, inclusive, já foi objeto de divergências no Supremo Tribunal Federal (STF). Durante sessão em 7 de maio de 2025, os ministros Flávio Dino e André Mendonça debateram sobre a criminalização de ofensas a servidores públicos. Mendonça defendeu que chamar uma pessoa pública de “ladrão” é uma opinião, não um crime.

Ladrão é ladrão, Mané é Mané

Já Dino discordou veementemente, afirmando: “Para mim, é uma ofensa grave. Não admito que ninguém me chame de ladrão“. A discussão destacou a tensão entre liberdade de expressão e suposta proteção à honra de autoridade. É claro que tal proteção já é prevista e amparada pela Lei, não precisando de arroubos autoritários.

Estamos, assim, cada vez mais, testemunhando uma verdadeira inversão de valores: o grave é tratado com leviandade, e o banal é criminalizado. Essa distorção compromete a credibilidade das instituições e enfraquece a democracia. Pior. Aprisiona a sociedade em debates que acabam desinformando e distorcendo os fatos.

É imperativo resgatar a lucidez e o discernimento no debate público. De igual sorte, é inaceitável a responsabilização criminal por, sei lá, um torcedor irritado chamar o juiz de “ladrão” dentro de um estádio de futebol. Um pênalti mal marcado, obviamente, não é um crime. Portanto, como criminalizar quem assim o adjetiva?

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Ricardo Kertzman

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Comentários (2)

Joaquim Arino Durán

06.06.2025 22:09

Esses ladrões, Lula e Dino, junto com os demais do puxadinho STF, seguem roubando os aposentados. Hoje Alexandre, o Grande Censor enterrou a tese vitoriosa da Revisão da Vida Toda, pois foram atropelados de uma só vez os Direitos Adquiridos e a Jurisprudência, e ainda eliminados quaisquer vestígios da Segurança Jurídica.


Alexandre Ataliba Do Couto Resende

06.06.2025 11:55

Lucidez e discernimento tem sido escassos na atual conjuntura do país. Viramos um país de seguidores dos Conselheiros da vida. Regredimos ao final do século XIX em escala nacional.


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