Pacificador de araque, “papai” Trump é desprezível até quando acerta
Crente em si como uma divindade superior ao próprio Criador, Donald Trump jacta-se do que nunca fez e do que não é
Torna-se cada vez mais insuportável o convívio midiático com o presidente americano Donald Trump neste seu segundo mandato. O bufão alaranjado retornou ao poder da maior potência mundial muito pior do que foi ainda em sua primeira e desastrosa passagem.
Se ao ler o primeiro parágrafo você, leitor amigo, leitora amiga, logo berrou em silêncio, “O Biden é que era bom, Ricardo?”, bem ao estilo bocó do bolsopetismo defronte críticas e análises fundadas sobre seus ídolos, sugiro nem seguir adiante.
Porém, se seu perfil como indivíduo livre e autônomo te leva a ler, compreender, analisar e concluir textos, independentemente da opinião do autor, ancorado aos fatos – sempre verdadeiros – apresentados, siga em frente que irá gostar.
Bravateiro com o mundo
Não vou recuar ao primeiro mandato do republicano, pois desnecessário e redundante, ainda que primevo. Vou me ater apenas às ameaças de tomada à força do Canal do Panamá e Groenlândia, as punições não impostas ao Hamas e ao fim da guerra na Ucrânia.
“Eu não descarto isso (uso da força). Eu não digo que vou fazer isso, mas eu não excluo nada. Precisamos muito da Groenlândia. A Groenlândia tem uma quantidade muito pequena de pessoas, que vamos cuidar, e vamos apreciá-las, e tudo isso. Mas precisamos disso para a segurança internacional.“
“A China está administrando o Canal do Panamá que não foi dado à mesma, mas sim ao Panamá tolamente e eles violaram o acordo, nós vamos tomá-lo de volta, ou algo muito poderoso vai acontecer.“
Arrogante com todos
“Shalom Hamas, significa olá e adeus. Vocês têm uma escolha. Libertem os reféns agora ou terão que pagar um inferno”. Por último, sobre a guerra na Ucrânia: “Vou resolver essa guerra em um dia, 24 horas. Vou ligar para Putin e vou ligar para Zelensky. Vamos acertar isso. Vai acabar. Serão duas ligações muito rápidas.” Obviamente, como mais que sabido, nada acima de fato aconteceu.
Após os ataques às instalações nucleares do Irã e a resposta pífia do regime dos aiatolás, o americano declarou: “Os ataques foram espetaculares. As capacidades de enriquecimento nuclear do Irã foram completamente obliteradas. Só os Estados Unidos poderiam fazer isso. Teerã Deveria ter aceitado a nossa proposta. Haverá paz ou tragédia ainda maior para o Irã.”
Contra-atacado “de mentirinha” pela teocracia islâmica, Donald Trump, com a costumeira arrogância e falta de decoro diplomático, zombou: “O Irã respondeu oficialmente a nossa destruição de suas instalações nucleares com uma resposta muito fraca. Quero agradecer ao Irã por avisar com antecedência, o que permitiu que não houvesse perda de vidas nem que ninguém ficasse ferido.”
Mentiroso com a história
Em sua escalada sem limites rumo ao Olimpo do charlatanismo intelectual, Trump resolveu nomear, obviamente de forma comparativa à Guerra dos Seis Dias, o atual conflito entre Israel e Irã como Guerra dos Doze Dias.
Como desfaçatez moral e ludibriação histórica nunca lhes são suficientes, o chefe da Casa Branca resolveu comparar – meu Deus do céu! – o bombardeio americano às três instalações nucleares iranianas com, vejam só, Hiroshima e Nagasaki.
“Não quero usar o exemplo de Hiroshima. Não quero usar o exemplo de Nagasaki, mas foi essencialmente a mesma coisa que pôs fim àquela guerra. Isso pôs fim àquela guerra. Se não tivéssemos eliminado isso, eles estariam lutando agora mesmo.”
Desrespeitoso com Israel
Não satisfeito, na quarta-feira, 25, em encontro da OTAN em Haia, na Holanda, durante uma daquelas conversas estilo BBB, transmitidas ao vivo e em cores para toda a aldeia global, Trump e Mark Rutte, secretário-geral da Organização, travaram o seguinte papo de bêbados em botequim:
“Eles [Israel e Irã] não vão continuar brigando. Já deu. Tiveram uma briga grande, como duas crianças no pátio da escola. Sabe como é, elas brigam para valer, você não consegue parar. Deixa brigar por uns dois, três minutos, aí depois fica mais fácil de os separar“, disse o presidente americano, sendo imediatamente complementado pelo holandês: “E aí o papai às vezes precisa usar uma linguagem mais dura”, no que Trump finalizou: “Você tem que usar uma linguagem forte. De vez em quando, precisa usar uma certa palavra.”
Um dia antes, o festejado – por Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelense – como “O maior amigo que Israel já teve”, Trump já havia se referido de forma absurdamente jocosa: “Não gostei do fato de Israel ter disparado logo após fecharmos o acordo. Eles não precisavam disparar. Basicamente, temos dois países que lutam há tanto tempo e com tanta dureza que não sabem mais que porra estão fazendo.” E escreveu, em letras garrafais em sua rede social: “ISRAEL. NÃO LANCEM ESSAS BOMBAS. SE FIZEREM, É UMA GRAVE VIOLAÇÃO. TRAGAM SEUS PILOTOS PARA CASA, AGORA.”
Desprezível com a existência
Crente em si como uma divindade superior ao próprio Criador, Donald Trump jacta-se do que nunca fez, do que não é – nem jamais será – e até mesmo dos feitos que pensa que realizará. Como resolveu conceder-se o título de pacificador, já sai “cobrando geral” como um miliciano transnacional.
Mas, ao contrário do que imagina ser, o presidente americano é um perigo ambulante e iminente. Uma espécie de urânio enriquecido a 150% sob o controle do Hamas.
Para o bem da humanidade, sobretudo de israelenses e iranianos, este “acordo de paz” liderado por Donald Trump será bem-sucedido. Ao menos “que seja eterno enquanto dure” – desculpe, Vinícius, por misturá-lo a essa gente.
Entretanto, o título de ultimate peacemaker (o pacificador final) será, ainda que exagerado, real apenas na mente doentia do próprio, já que imerecido à luz dos fatos. Que a História tenha piedade da História e não cometa tamanho erro em assim retratá-lo no futuro.
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Comentários (3)
Jorge Irineu Hosang
26.06.2025 18:24Sinceramente, ele pensa que está num reality show, fica fazendo caras e bocas, vociferando ameaças, criando instabilidade. Depois os seus idólatras falam que Zelenskyui é um palhaço de circo, mas na verdade, é Trump. É só lacração e os Republicanos deixaram ele dominar tudo com sua gangue de aloprados!!
Guilherme Rios Oliveira
26.06.2025 12:07Parabéns pelo artigo Ricardo, percebi tudo isso em Trump desde o primeiro mandato.
Mauricio Henriques
26.06.2025 08:58O mundo carece de estadistas, homens com estofo moral e princípios sólidos. Só nos restam bufões e tiranos.