O truque de Haddad está funcionando?
Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg indica pequena melhora na ainda negativa imagem do ministro da Fazenda, que encampa discurso de "justiça tributária" para tentar aumentar impostos
Pesquisa Latam Pulse, de AtlasIntel e Bloomberg, divulgada nesta terça-feira, 8, indica tendência de recuperação na popularidade de Lula. A desaprovação do presidente ainda é maior do que a aprovação, mas o petista parece ter conseguido mais um respiro, segundo os números.
A desaprovação de Lula oscilou de 53,7% para 51,8%, enquanto a aprovação se moveu de 45,4% para 47,3% na comparação de junho com maio. Quando são considerados os critérios ótimo, bom, regular, ruim e péssimo, as alterações são ainda mais sutis.
A pesquisa ouviu 2.621 eleitores de 27 a 30 de junho, e tem margem de erro de dois pontos percentuais.
O índice de ruim/péssimo oscilou de 52,1% para 51,2%. Mas o ótimo/bom não subiu, foi de 41,9% para 41,6%. Já o índice regular foi de 6% para 7,2%, como pode ser visto abaixo.

Haddad
Entre os líderes políticos analisados, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (à esquerda na foto), é o que teve o saldo mais positivo na imagem, apesar de ela ainda ser mais negativa (51%) do que positiva (45%).
“A imagem negativa de Fernando Haddad caiu 5pp, e sua imagem positiva aumentou 3pp. A imagem negativa permanece maior que a positiva, mas o saldo negativo (-6pp) é o menor registrado para Haddad desde janeiro de 2025. A imagem positiva do presidente Lula subiu 2pp e sua imagem negativa diminuiu 1pp – mudanças dentro da margem de erro”, registra o relatório da AtlasIntel/Bloomberg.

Após tirar férias na semana em que o Congresso Nacional aprovou a urgência para a derrubada do decreto que aumentou alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) — que acabou caindo na semana seguinte —, Haddad passou a encampar, em uma série de entrevistas e declarações públicas, o discurso da “justiça tributária”, para tentar justificar o aumento de impostos.
O governo Lula celebrou uma repercussão maior do que o normal dessa mensagem nas redes sociais e o PT botou para circular uma perigosa campanha de “ricos contra pobres”, na esperança de recuperar a popularidade perdida.
Inflação
A imagem de Haddad pode ter se beneficiado também de uma melhora na percepção da inflação. A preocupação dos brasileiros com o assunto vem caindo desde fevereiro, quando estava em 35%, e agora está em 28%.
“Houve melhora nas percepções atuais e expectativas de inflação. O Índice Atlas de Inflação capturou uma percepção de inflação atual de 6,2% (-0,8 comparado com o mês anterior), e uma expectativa de inflação de 5,2% (-0,5 em relação a maio)”, diz o relatório, que também destaca:
“Após uma queda em maio, a confiança do consumidor voltou a subir em junho. Enquanto a avaliação atual manteve-se relativamente estável, o Índice de Expectativa aumentou, indicando maior confiança dos brasileiros em uma recuperação econômica.”
Não foi o governo Lula
Nada disso ocorreu por qualquer esforço ou iniciativa do governo Lula, contudo.
A taxa básica de juros está em 15% ao ano, o maior patamar em 19 anos. É por meio dela que o Banco Central, comandado por Gabriel Galípolo (à direita na foto), indicado por Lula, vai segurando a inflação sozinho, sem a ajuda das reformas estruturais por que clama há anos.
Além disso, a cotação do dólar chegou ao menor nível desde junho de 2024, graças a movimentações do mercado americano em resposta ao ruidoso governo de Donald Trump — apesar de os petistas reivindicarem influência na valorização do real.
Popularidade
As perspectivas econômicas indicam que há algum espaço para os lulistas recuperarem popularidade, portanto, mesmo sem fazerem aquilo de que o país precisa.
Mas esse espaço ainda parece muito tímido diante da necessidade de um governo que desistiu até de fingir que mira a responsabilidade fiscal, em nome da desesperada tentativa de reeleição.
Leia mais: Nem Gleisi foi tão longe, Haddad
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Comentários (1)
saul simoes junior
08.07.2025 11:21Aonde foi feita esta pesquisa na porta de qual ministério, da cultura, da mulher, da igualdade racial?