O plano bolsonarista para anular a condenação do ex-presidente no STF
Aliados do ex-presidente nutrem a esperança de se repetir o roteiro estabelecido pelo Supremo em relação ao presidente Lula
Apesar dos recados dados por ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino e Alexandre de Moraes, os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro nutrem, de fato, a esperança de uma anulação da condenação de 27 anos e 3 meses de prisão arbitrada pelo Tribunal na quinta-feira na semana passada.
A questão é que uma futura revisão criminal depende de vários fatores. Hoje, considerados distantes, mas com algum lastro de realidade. Isso, obviamente, depende de mudanças esperadas na Suprema Corte para os próximos cinco anos e se o bolsonarismo conseguirá emplacar tanto o próximo presidente da República quanto uma maioria substancial no Senado.
O próximo presidente da República terá direito a indicar até três juízes da Suprema Corte: Luiz Fux completa 75 anos (data da aposentadoria compulsória) em abril de 2028; Cármen Lúcia deixa a Corte em abril de 2029 e Gilmar Mendes se aposenta em dezembro de 2030.
Há ainda a possibilidade de uma quarta indicação: a oposição acredita que, se conseguir aumentar sua bancada para pelo menos 54 senadores, seria possível abrir margem para impeachment de ministro de STF. Mais especificamente, para a destituição de Alexandre de Moraes.
Com quatro votos a mais, somados aos de Nunes Marques e André Mendonça, segundo os cálculos bolsonaristas, seria possível reverter a condenação de quinta-feira do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O PT também faz esse mesmo cálculo. E enfrenta uma encruzilhada. Hoje, o partido não tem nomes de fato substanciais para conter uma eventual onda bolsonarista no Senado. A postura da sigla é claudicante. Sem nomes próprios, o PT pretende apoiar candidatos do Centrão para tentar, ao menos, frear parte desse ímpeto de aliados do ex-presidente. Dois exemplos marcam essa estratégia: no Maranhão, o PT deve apoiar a candidatura do ministro dos Esportes, André Fufuca, ao Senado; no Pará, no nome apoiado pela sigla será de Celso Sabino, ministro do Turismo.
O fato é que o bolsonarismo pretende seguir o mesmo script do PT ao deflagrar a campanha “Lula Livre”. Dessa vez, a onda será “Bolsonaro Livre”. A campanha já começou e promete ser barulhenta. Mas, para que ela de fato tenha concretude, será necessária uma união de duas alas dentro do bolsonarismo. União que essa ala nunca teve. Ao menos até o momento.
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Comentários (1)
Annie
15.09.2025 11:44Quando vamos sair dessa polarização?