O complicado GP de Mônaco
Tivemos um GP de Mônaco de Fórmula 1 complicado, com duas paradas de troca de pneus obrigatórias, o que mexeu com corrida
Tivemos um GP de Mônaco de Fórmula 1 complicado. Pela primeira vez, duas paradas de troca de pneus foram obrigatórias e isso mexeu com a estrutura da corrida, com equipes fazendo um jogo pouco louvável, mas legal, de um piloto segurar o resto do pelotão atrás de si – já que por lá ninguém consegue passar – enquanto seu companheiro à frente abria vantagem e trocava de pneus com total segurança.
Depois esses pilotos trocavam de posição e o mesmo ocorria para o piloto que havia ficado para trás na primeira parta da estratégia. Isso foi feito com sucesso pelas equipes Racing Bulls e Williams, para agonia dos demais que estavam atrás deles e simplesmente não tinham por onde ultrapassar os pilotos-tampão pelas estreitas ruas do principado.
Dito isso, a corrida em si não teve grandes emoções – essas normalmente ficam reservadas para a classificação, no sábado. Isso, aliás, dificilmente vai mudar a médio prazo, pois seria muito difícil alargar as ruas de Mônaco ou alongar alguma reta. Vamos ver agora a análise de quem ganhou e quem perdeu nessa etapa do campeonato da Fórmula 1
Quem ganhou
Lando Norris saiu certamente de Mônaco com um grande e merecido sorriso: encostou em Oscar Piastri na corrida pelo campeonato, venceu seu GP dos sonhos e mostrou-se, uma vez mais, que, ao menos dentro da McLaren, ainda faz a diferença na classificação, o que em corridas como essa é fundamental.
Charles Leclerc, apesar de não ter vencido, saiu-se muito bem e pressionou Norris ate o final. Com isso ele volta a dar esperanças de que a Ferrari voltou a ser competitiva? Acho muito cedo, mas certamente essa corrida, ainda que sem uma vitória, foi um alento depois de várias frustrações.
Racing Bull viu Isack Hadjar aproveitar-se de uma boa classificação e ótima estratégia de segurar a turma de trás para assegurar pit-stops para marcar pontos importantes, com Liam Lawson também se dando bem pelas mesmas razões, coisas que só acontecem em Mônaco, frustram quem assiste, mas é parte do jogo.
Esteban Ocon também foi um que se beneficiou da boa classificação e até da estratégia da Racing Bulls, marcando pontos importantes para sua equipe
Williams quase não entra nessa ala dos que saíram ganhando, pois anotou pontos magrinhos, usando a mesma estratégia pouco agradável da Racing Bull, mas no fim fizeram o que podiam com o que dispunham na realidade de Mônaco, senão certamente seus pilotos também prefeririam partir para cima e ultrapassar na pista seus rivais. No fim, os pontos é que importam.
Quem perdeu
FIA, pois tentou agitar as coisas criando essa história de 2 pit-stops obrigatórios com a melhor das intenções, mas o tiro saiu pela culatra pela realidade da pista de impossível ultrapassagem que permitiu as equipes adotarem essas estratégias de segurar todo mundo para beneficiar os companheiros de equipes. Será que ano que vem mudam essa regra?
Mercedes foi a maior vítima dessa estratégia de segurar todo mundo, pois certamente tinham carro para, em circunstâncias normais, pontuar. Russell arriscou burlar uma curva para passar irregularmente Albon, mas foi punido por isso, terminando sem pontuar.
Max Verstappen fez o que podia, tentou uma estratégia diferente ao esperar um Safety-car, que não veio, até o final da corrida, para evitar uma parada de boxes normal. Não deu certo e com isso se distancia mais de seus rivais pelo título, mas essa é a realidade da Red Bull hoje.
Aston Martin tinha tudo para marcar bons pontos com Fernando Alonso, que largou uma sexta posição muito alvissareira, mas o motor começou a falhar e ele teve que abandonar, ficando zerado pela oitava corrida consecutiva, como nos seus tempos de Minardi em 2001. Stroll errou na classificação, deu azar numa bandeira amarela e aí sua sorte, nessa pista que ninguém passa ninguém, estava traçada.
Pierre Gasly foi o único a abandonar por uma batida, batida essa totalmente evitável, quando mergulhou na traseira de Tsunoda. Ok, Gabriel Bortoleto também bateu na primeira volta, mas o brasileiro conseguiu seguir na corrida e, ironicamente, ainda chegou duas posições à frente de seu companheiro, Nico Hülkenberg, que fez tudo certo e tinha largo à sua frente. Coisas de Mônaco.
Já nesse próximo fim de semana teremos o GP da Espanha, num autódromo tradicional, com áreas de escape e com mais oportunidades para ultrapassagens e disputas diretas por posições.
Eis o resultado do GP de Mônaco:
1) Lando Norris (McLaren/Mercedes), 78 voltas
2) Charles Leclerc (Ferrari), +3.131
3) Oscar Piastri (McLaren/Mercedes), +3.658
4) Max Verstappen (Red Bull/Honda RBPT), +20.572
5) Lewis Hamilton (Ferrari), +51.387
6) Isack Hadjar (Racing Bulls/Honda RBPT), +1 volta
7) Esteban Ocon (Haas/Ferrari), +1 volta
8) Liam Lawson (Racing Bulls/Honda RBPT), +1 volta
9) Alexander Albon (Williams/Mercedes), +2 voltas
10) Carlos Sainz (Williams/Mercedes), +2 voltas
11) George Russell (Mercedes), +2 voltas
12) Oliver Bearman (Haas/Ferrari), +2 voltas
13) Franco Colapinto (Alpine/Renault), +2 voltas
14) Gabriel Bortoleto (Sauber/Ferrari), +2 voltas
15) Lance Stroll (Aston Martin/Mercedes), +2 voltas
16) Nico Hülkenberg (Sauber/Ferrari), +2 voltas
17) Yuki Tsunoda (Red Bull/Honda RBPT), +2 voltas
18) Kimi Antonelli (Mercedes), +3 voltas
Fernando Alonso (Aston Martin/Mercedes)
Pierre Gasly (Alpine/Renault)
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)