O atalho do Messias
Petição da AGU é vista por integrantes do Congresso como forma de antecipar vigência de projeto de lei sobre regulamentação das redes
Integrantes tanto da base bolsonarista na Câmara quanto os petistas viram, na petição apresentada nesta segunda-feira, 26, pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma forma de antecipar a vigência do projeto de lei que será apresentado pelo governo federal, em junho, sobre regulamentação de redes sociais.
Como mostramos mais cedo, a AGU protocolou um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para que a Corte aplique imediatamente medidas para cessar casos de desinformação, de violência digital e danos causados por omissão de redes sociais em evitar a divulgação de conteúdo ilícito em suas plataformas.
A petição foi incluída em um Recurso Extraordinário que discute a responsabilidade civil das plataformas de internet. O pedido, segundo a AGU, se “baseia em dados recentes que demonstram graves riscos à integridade das políticas públicas, à segurança digital da população, em especial idosos, crianças e adolescentes, e ao Estado Democrático de Direito”.
Desde a semana passada, o presidente da República, Lula, – a partir de apelos da primeira-dama Janja – intensificou suas críticas à falta de regulamentação das redes sociais. Neste domingo, o petista reforçou o apelo ao Congresso Nacional para que o tema volte à discussão por deputados e senadores.
“É preciso que a gente discuta com o Congresso Nacional a responsabilidade da gente regular o uso das empresas nesse país. Não é possível que tudo tem controle, menos as empresas de aplicativos”, disse o presidente da República, em evento no Mato Groso.
A nova tentativa da regulamentação das redes
No entanto, integrantes da base petista admitem que o governo Lula não teria votos o suficiente para regulamentar as redes sociais nos moldes propostos pelo governo federal. Há a expectativa de que, na próxima semana, o governo Lula apresente um substitutivo para regulamentar as redes sociais, calcado apenas na proteção de crianças e adolescentes. Líderes governistas foram avisados que, talvez a partir desta premissa, seria “menos difícil” de esse tema avançar tanto na Câmara quanto no Senado.
A expectativa é que o texto seja apresentado por meio do Ministério da Justiça, de Ricardo Lewandowski.
A ideia do texto é submeter as redes sociais à retirada do ar caso elas não cumpram as determinações da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) em casos que afetem crianças e adolescentes. Trechos desse texto foram discutidos na semana passada em reunião que reuniu nove ministros, entre os quais o da Secom, Sidônio Palmeira, o da Casa Civil, Rui Costa, e Gleisi Hoffmann, da Articulação Política.
O problema, conforme integrantes do Congresso, é que, dependendo da forma como o texto for enviado ao Congresso, pode haver brechas para responsabilizar as plataformas por postagens de conteúdos de caráter político. E a direção do PT nunca escondeu que gostaria de ter um controle maior das narrativas nas redes sociais, principalmente em relação ao presidente Lula.
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Comentários (1)
Leticia Jota Piantino Merchioratto
26.05.2025 21:41Esse tal de messias não está indo longe demais, Por favor atenha se ás suas funções onde aliás nunca deveria estar,.. Òtimo artigo WIlson Lima.