Márcio Coimbra na Crusoé: O resgate da Venezuela
Quando uma intervenção se torna necessária
Na análise de riscos geopolíticos, poucas variáveis são tão voláteis e perigosas quanto a implosão de um Estado soberano transformado em uma organização criminosa transnacional.
O que observamos na Venezuela hoje, sob o comando de Nicolás Maduro, não é apenas uma “crise política” ou uma “ditadura convencional“.
Trata-se da consolidação de um narcoestado de exceção, cuja existência representa uma ameaça existencial não apenas para seu povo, mas para a segurança hemisférica e, de forma aguda, para a soberania do Brasil.
A anatomia do colapso
Os indicadores sociais e econômicos da Venezuela não descrevem um país em recessão, mas uma nação em processo de extermínio.
Com um PIB que encolheu cerca de 80% na última década e uma inflação que pulverizou o poder de compra, o regime criou uma dependência da fome como ferramenta de controle social.
Mais de 7,7 milhões de venezuelanos fugiram do país, gerando a maior crise migratória da história moderna das Américas.
Contudo, o que sustenta Maduro não é a ideologia, é o terror. Relatórios da Missão Internacional Independente de Determinação dos Fatos da ONU documentam, com precisão forense, o uso sistemático de tortura, violência sexual e execuções extrajudiciais pelos serviços de inteligência (Sebin e DGCIM).
O Helicoide, em Caracas, tornou-se o símbolo arquitetônico de um sistema em que a dissidência é tratada com choques elétricos e asfixia. Não há Judiciário, há apenas executores de sentenças pré-fabricadas pelo Palácio de Miraflores.
O porto seguro do crime global
Para um analista de risco, o ponto de inflexão ocorre quando o Estado deixa de monopolizar a violência para terceirizá-la ou associar-se ao crime.
A Venezuela de Maduro tornou-se o centro logístico…
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