Manifestações bolsonaristas: os traços totalitários da suposta oposição
A pressão popular, através das manifestações, é justa e legítima, desde que respeitadas as leis do país
Assim como a oposição de esquerda contra a ditadura militar jamais lutou por democracia, mas apenas por uma ditadura própria, o bolsonarismo – fica cada vez mais claro isso! – não luta por liberdade de expressão, justiça, democracia e até mesmo pela pátria, mas, tão somente, pelos interesses particulares e pela ambição de poder de seus “líderes”, se é que se pode chamar assim quem usa apoiadores como “bucha de canhão”.
O bolsonarismo não se insurge contra as mazelas do Supremo Tribunal Federal (STF). Insurge-se contra ministros e decisões que o atingem. Até outro dia, Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro andavam de abraços e sorrisos com Dias Toffoli e Gilmar Mendes, e a turba, ao menos atualmente, poupa Luiz Fux (o que não fazia há até pouco tempo).
E nem vou falar de André Mendonça e Kássio Nunes Marques, pois estes, até o dia em que ousarem não aderir em 200% às pautas dos reacionários, são da “tchurma”. Mas que não se enganem. Ao menor sinal de discordância serão tratados a socos e pontapés. Estamos falando de uma horda majoritariamente cega, fanática, ignorante, violenta, virulenta.
Haters de quase tudo e de todos
Vejam os casos dos governadores Tarcisio de Freitas, Romeu Zema e Ratinho Junior, que já são tratados como inimigos e traidores pela reação ao tarifaço e pela ausência na manifestação de domingo, 3. Nikolas Ferreira tem experimentado a fúria dos totalitários, mas vai buscando contornar as cobranças de Eduardo Bolsonaro com slogans de “Fora, Lula e Moraes” e aparições em carros de som. Outros já foram largados: Gustavo Bebianno, General Santos Cruz, Alexandre Frota, Joice Hasselmann, Carla Zambelli, Sergio Moro.
No totalitarismo, para além do aspecto de controle absoluto exercido pelo Estado sobre todos os aspectos da vida pública e privada dos cidadãos, uma ideologia específica é imposta como verdade oficial, e qualquer desvio é considerado traição. A propaganda é usada para moldar a opinião pública e justificar as ações do regime. O bolsonarismo, como qualquer seita fascista, não admite o menor ponto de vista contrário. Muito menos se houver coerência.
Essa gente não tolera a divergência democrática, nem aceita o percurso trabalhoso das vias institucionais. Exige, apenas, mudanças drásticas e repentinas que favoreçam seu lado. Observem o que pedem nas manifestações: “Fora, Lula”. “Fora, PT”. “Fora, Moraes”. “Fora, Alcolumbre”. “Fora, Motta”. “Fora, Globolixo”. Antes, era: “Fora, Maia” e “Fora, Pacheco”. Eles querem um mundo só deles e para eles. São contra, ou melhor, não aceitam o Congresso, o Supremo, a imprensa, as pesquisas, as universidades, os artistas, o centrão… os “isentões”! Qualquer coisa que não seja reacionarismo aloprado, ou extremismo, é tratada com um sonoro e raivoso “Fora”.
Bolsolândia, sim. Instituições, não
São tão obcecados e furiosos, que até Donald Trump – outro reacionário aloprado – agora é tratado como um deus. O cara está aumentando o imposto de importação nos Estados Unidos, via seu “tarifaço global”, e virou herói. O mesmo Trump persegue a imprensa, os estrangeiros, os americanos opositores, o presidente do FED, a ex-chefe do equivalente ao IBGE dos EUA e ainda assim é tido como “o defensor das liberdades”. Isso é surreal.
Em 2022, ouvíamos: “Não queremos golpe, apenas intervenção militar”. Oi? Como assim? Ou então: “Queremos novas eleições, só isso”. Ah, entendi. E se Lula vencesse outra vez? São completamente descolados da realidade. Apontam, acertadamente, a corrupção lulopetista, mas aplaudem Valdemar Costa Neto (mensaleiro e ex-presidiário).
O presidente Lula tem, se a maioria dos eleitores desejar, de ser deposto em 2026, nas urnas. Ministros do STF, se infringirem a Constituição, têm de ser depostos, via impeachment, no Senado. A pressão popular, através das manifestações, é justa e legítima, desde que respeitadas as leis. A do país. E não a de um bando de “líderes” autocráticos, trepados em carros de som, estimulando a virulência de uma horda de adesistas hipnotizados e moralmente anestesiados, em sua ampla maioria.
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Comentários (5)
Nelson Lemos Costa
04.08.2025 16:46Boa tarde, Ricardo. Mais uma vez, seu antagonismo é legítimo, verdadeiro e contundente. Tanto que é alvo de ataques um tanto quanto exagerados. Sem problemas. Não nos importemos com críticas. Mas, quase sempre, me parecem tendenciosos. O que sugerem os críticos? Apontam alguma direção diversa da sua opinião, ou seja, revolução dentro da lei? Não, quando temem represálias legais, as quais são cada vez mais distantes da lei e mais afetas a criatividade dos julgadores. Sim, quando, a despeito de tudo, são mais alopradas e mais passíveis de cegas doutrinas cujos doutrinadores são, para estes, incontestáveis e messianicamente irrepreensíveis. Haja vista que, no mesmo dia das manifestações pró-pseudo-oposição (nem sei como definir), a outra horda de perpetradores de tanto sofrimento já causado a todos nós, se reunia em Brasília, entoando coros mofados e que nos esfregam na cara a impunidade, a volta do criminoso à sena do crime, sob aplausos e, também, escárnio escancarado daqueles que não seguem/acreditam em mentiras. Ora. A lei não é perfeita. Então, isso só reforça sua opinião e nos alegra em saber que ainda há jornalismo isento, que não é doutrinador mas, oferece informações verídicas para que possamos formar nossas próprias opiniões, livres de ideologia cega e devoção a causas insensatas. Parabéns, Ricardo.
Alexandre Ataliba Do Couto Resende
04.08.2025 16:17Ricardo no país das maravilhas!! Senado fazer processo de impeachment de Ministro de STF com tudo que está sendo feito e não acontece??? Sempre digo que dois errados não fazem um certo, no caso do Brasil são três errados não fazendo nenhum certo. Se for incluir o autor desta crônica, serão 4 errados não fazendo nenhum certo. Se a análise fosse feita na Alemanha poderia ser válida, mas só vou citar um único caso com todo tipo de arbítrio e barbaridade: Filipe Martins. Acho, pessoalmente, ele uma pessoa detestável, mas seu caso extrapola tido limite de razoabilidade, com total conivência e silêncio da mídia dita "séria" em nosso país, incluo O Antagonista nessa terrível omissão.
Ana Maria
04.08.2025 15:04Nao sou bolsonarista, acho que Bolsonaro tem responsabilidade por parcela do que o pais esta passando, nao quero ditafura e digo Fora PT e fora Moraes
ale
04.08.2025 14:29Ricardo Kertzman recebe para escrever isso? Eu quero um emprego no O Antagonista igual ao dele.
Amaury G Feitosa
04.08.2025 14:16Infelizmente o BRAZIU sob ignorância, fanatismo e instigado ódio só sairá da ditadura ladra socioNAZIsta com um regime de força E se tivéssemos um Congresso Nacional de vergonha e não estes de pilantras vendidos aos ditadores para achacarem todos a nação o Legislativo que pode fazer isto e o próprio decidirá por ele já teria pedido o Art 142 da CF a única e ultima chance de sairmos desta ditadura criminosa e ladra que infelicita o país dos Manés e dos Tupis ... que saudade de QUERUMEU o corrupião corrupto do impagável e inesquecível Pasquim.