Lula se abraça ao passado
Petista passou os últimos três anos tentando emular seus dois primeiros mandatos, e agora se agarra ao 8 de janeiro em busca de futuro
O terceiro mandato de Lula já nasceu velho.
O petista passou os últimos três anos tentando emular seus dois primeiros mandatos, reciclando programas sociais, aos quais nem sequer se preocupou de dar um novo nome, como o Bolsa Família e o “Novo PAC”, na esperança de recuperar a popularidade de 80%, conquistada às custas do futuro do Brasil, como constatou o governo Dilma Rousseff.
Ao olhar obsessivamente para o passado, o presidente não conseguiu dar qualquer perspectiva de futuro para o país, que segue amarrado por uma disputa entre petismo e bolsonarismo.
A cerimônia para lembrar os atos de vandalismo do 8 de janeiro de 2023, realizada no Palácio do Planalto nesta quarta-feira, 8, é mais uma manifestação desse apego de Lula ao passado.
Ato político-partidário
Não é que o país deva esquecer sua história, mas o que foi feito em Brasília nesta quarta, sem a presença dos presidentes do Congresso Nacional ou do Supremo Tribunal Federal (STF), passou muito longe de um evento em defesa da institucionalidade.
É o exato oposto: foi um evento político-partidário, que contou apenas com os ministros do governo, parlamentares da base e os três governadores do PT, além dos chefes militares, cujos nomes Lula fez questão de mencionar, um por um, para dar a impressão de que tinha muita gente.
Nem Alexandre de Moraes, estrela dos últimos eventos de lembrança do 8 de janeiro, compareceu ao ato, que foi inflado por membros de movimentos sociais ligados ao petismo e turbinado pela assinatura do veto integral ao PL da Dosimetria.
Bolsonaro e Maduro
Jair Bolsonaro já está preso por tentativa de golpe de Estado, mas o petista precisa do adversário para poder dizer que pelo menos é melhor do que alguém e sustentar alguma perspectiva de poder.
É a isso que se presta hoje o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), avatar eleitoral do pai, que tenta manter o protagonismo político da família, e entrega o mesmo a Lula do outro do polo ideológico.
Durante o ato convocado para manter vivo seu adversário como a ameaça que lhe permitiria ganhar mais uma eleição, Lula chegou ao dizer que “nós não ficamos falando mal do outro governo”, logo depois de reclamar que o governo Bolsonaro deixou dívidas para serem pagas.
É notável também o silêncio do petista sobre a captura de Nicolás Maduro pelas forças americanas.
Mas seus apoiadores expuseram uma grande bandeira da Venezuela do lado de fora do Palácio do Planalto, para não deixar ninguém esquecer que esse mesmo presidente, que discursa agora pela democracia, recebeu o ditador venezuelano com pompas de chefe de Estado em 2023, e lhe deu dicas de como rebater “a narrativa que se construiu contra a Venezuela, da antidemocracia, do autoritarismo”.
Hoje, a narrativa que não cola é a de Lula.
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