Lula enrola e desenrola
É cruel a condução da economia pelo petista, que incentiva contração de dívidas impagáveis e, depois, ainda se apresenta como solução
O governo Lula (foto) prepara a segunda versão do programa Desenrola, para a renegociação de dívidas que o próprio governo Lula incentivou os brasileiros a contraírem nos últimos quatro anos.
O incentivo ao consumo por meio do crédito é a base da política econômica lulista. Foi nesse ambiente que o endividamento das famílias chegou a 80,4% em março, recorde histórico.
Essas dívidas se tornam impagáveis em um país no qual a taxa básica de juros passou meses em 15% ao ano, o maior patamar da história, porque o governo se recusou a controlar o gasto público.
O terceiro mandato presidencial de Lula está cheio de recordes para serem lamentados.
O Brasil contava 81,7 milhões de inadimplentes em fevereiro, o equivalente a 49,9% da população adulta, um outro recorde.
Em março, 29,6% das famílias estavam inadimplentes, e 12,3% diziam que não teriam como honrar suas dívidas, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).
Apostas
Depois de regulamentar as apostas esportivas de olho na arrecadação de impostos — foram 10 bilhões de reais para os cofres públicos só em 2025 —, o governo finge agora que não tem nada a ver com isso e o presidente discursa contra as bets, que contribuíram para essas dívidas.
O moralismo de ocasião do governo, abastecido pelo incômodo com a baixa popularidade de Lula às vésperas da eleição, levou ao bloqueio de 27 plataformas de predição, entre elas o Polymarket.
O cenário de endividamento incentivado pelo governo já era ruim por causa das consequências econômicas da pandemia de covid, e foi agravado recentemente pela crise do petróleo decorrente da guerra entre Estados Unidos e Irã, que o governo também tenta enfrentar de forma irresponsável.
Desenrola 2.0
O Desenrola 2.0 promete reduzir dívidas em até 90%, por meio de liberação do FGTS.
“O que a gente está exigindo, com a contrapartida dos bancos, é que haja uma taxa de juros muito menor do que a praticada nesses três segmentos [CDC, cartão de crédito e cheque especial], que são créditos caros que as pessoas têm que tomar no Brasil”, disse na segunda-feira, 27, Dario Durigan, o ministro da Fazenda que ficou no lugar de Fernando Haddad.
“Estamos falando de taxas de juros que variam entre 6% e 10% ao mês. Então, uma dívida de 10 mil reais, por exemplo, no mês seguinte, ela possivelmente vai ser uma dívida de 11 mil reais. Uma família brasileira que recebe um salário médio, possivelmente não sairá desse ciclo de atualização da sua dívida. Então, com um desconto amplo, a gente vai chegar a descontos de até 90% nesse programa”, projetou.
Apesar do discurso, o objetivo, como de costume, é desenrolar votos para o enrolado Lula.
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