Lula é um homenzinho complicado
Pesquisas de opinião detectam que Lula já não é popular como antigamente; ele não mudou nada
Sidônio Palmeira, ministro e adestrador retórico de Lula, não tem um minuto de sossego. Ele não pode tomar um cafezinho, escovar os dentes, ir ao banheiro, que Lula desamarra a língua e comete “deslizes” que orgulhariam Bolsonaro.
A esquerda não sabe direito como agir ou reagir. Lula é esse aí. Sempre foi, sempre será. O mundo é que continuou girando.
Nos últimos meses, a propósito, tenho acompanhado as movimentadas discussões entre influenciadores do “campo progressista” (melhor seria: “campo regressista”). Comunistas com ou sem carteirinha, revisionistas de totalitarismos, saudosistas de um tempo em que Josef Stalin nem era tão malvisto assim.
A fauna é variada, uns são mais afeitos à ideia de expurgos que outros, estes ameaçam aniquilar aqueles em futuras revoluções, mas quando o efeito dos estupefacientes ideológicos passa e eles voltam a falar das coisas terrenas, todos concordam e fazem coro: Lula não é mais o mesmo. Lula faz um governo neoliberal. Lula foi definitivamente cooptado pelo grande capital, e Haddad é seu Hayek. A única divergência consiste em saber se o governo pode ou não pode ser criticado.
Não vou me meter em briga de família alheia. Eles que são vermelhos que se entendam. O que me interessa é o que interessa a todos que sobrevivem nesta “República Federativa cheia de árvores e gente dizendo adeus”: nisso eles estão certos. Lula perdeu o jeito. Lula está morrendo asfixiado de lulismo. Lula governa cheio de pulsão de morte.
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Pesquisas já captam a insatisfação
As pesquisas vêm captando a insatisfação. De acordo com o Datafolha, a desaprovação ao governo diminuiu um pouquinho, mas oscila entre 38% e 41%. A menos de dois anos da disputa mais imprevisível dos últimos tempos, quase metade do país acha Lula “ruim ou péssimo”.
E isso é ruim ou péssimo para a esquerda, que não tem líderes e protagonistas eleitoralmente viáveis para a sucessão. A esquerda democrática se enforcou no cordão umbilical do PT. Mãos atadas, pés amputados, não conseguiu correr para longe do narcisismo autofágico do líder. Quem questionou foi defenestrado.
No Brasil, a única coisa previsível é o imponderável
Ainda segundo o Datafolha, Lula venceria Bolsonaro e outros nomes da direita “se a eleição presidencial fosse hoje”. Mas a eleição presidencial não é hoje. No Brasil, o derretimento de um candidato se dá por muitas razões, e as razões vão desde um ajuste fiscal mais apertado até uma Carla Zambelli mais destrambelhada.
O fato é que o relógio corre, e o eleitor é menos fiel que o militante. Os preços estão altos, as expectativas estão baixas, as declarações são desastradas, o governo está confuso, e a direita, com ou sem Bolsonaro, sente o cheiro de voto e se reorganiza em torno das compreensíveis insatisfações do povo, que esperava picanha e não vê nem a cor dos ovos.
Resta saber a quem o eleitorado concederá a anistia nas urnas em 2026.
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Comentários (6)
Namastê Gomes
13.04.2025 21:39Chega a ser melancólico o esforço descomunal de Lula para construir uma imagem de Estadista, sem o conseguir nos seus 10 anos de governo. Isto se deve ao fato de que, à luz da Teoria Geral do Estado, Estadista é aquele que põe os interesses do Estado acima de seus objetivos políticos e faz persistir suas obras no tempo e no espaço. Que Deus nos ilumine a todos e um abraço fraterno em agnósticos e ateus! Namastê!
Marcia Elizabeth Brunetti
12.04.2025 08:25Metade do Brasil, pelo menos, torce para que o reinado do Nine termine logo. Por mim já teríamos motivos suficientes para que ele voltasse para a cadeia. Se isso não acontecer espero que surja logo um candidato que possa juntar todos eleitores de Direita.
Clayton De Souza pontes
11.04.2025 21:45Correndo por fora ainda temos a PF, que tem apontado crimes com o orçamento secreto. Será que o STF vai conseguir blindar todos os personagens ?
Marian
11.04.2025 17:48Mas que nada! rs está fazendo um ótimo trabalho rs
Carlos Renato Cardoso Da Costa
11.04.2025 15:56O governo Lula 3 é uma aberração que sequer deveria ter existido, fosse por ele dever estar preso, fosse pelo Bolsonaro ser minimamente competente. O Brasil, que nunca perde uma oportunidade de fazer gol contra, conseguiu falhar as 2 opções.
Pedro Boer
11.04.2025 15:47Por que em todo artigo falando do Lula sempre aparece o nome do Bolsonaro? Todos sabem quem é o Lula desde o tempo do sindicato no ABC.