Leonardo Barreto na Crusoé: Pacheco humilhado é risco institucional
Lula sabe que as chances do ex-presidente do Senado para o governo de Minas Gerais são mínimas, e joga para a plateia
Rodrigo Pacheco foi o principal muro de contenção ao bolsonarismo no Senado Federal no período em que foi presidente da Casa.
Também freou o ímpeto oposicionista da Câmara em vários momentos, indispondo-se seriamente com Arthur Lira.
O suporte oferecido por ele a Lula garantiu a governabilidade na primeira metade do mandato e deu condições para o Planalto enfrentar a base parlamentar conservadora, sempre com o apoio do STF.
Sem Pacheco, a vida do PT em Brasília seria incomparavelmente pior.
Tudo isso foi feito sob custo político. Se lembrarmos que o eleitor original de Pacheco era conservador — em 2018 ele derrotou Dilma Rousseff —, não é difícil deduzir que toda ajuda posterior dada ao governo feriu sua base eleitoral.
Como não existe almoço grátis, também não há proteção política sem um interesse envolvido. E até o tapete azul do Senado sabia que o objetivo de Pacheco era ser nomeado para o STF.
A operação tinha, e ainda tem, todas as condições objetivas para dar certo. Pacheco é do mundo do direito, tem serviços prestados ao STF e ao governo, seria aprovado facilmente pelos seus pares e, mais importante, é apadrinhado de Davi Alcolumbre que exerce, hoje, a mesma função de estrutura de proteção.
Lula, no entanto, tem lá suas razões para fazer outra escolha. Ele, talvez, não se sinta seguro apenas com a presença de Cristiano Zanin, seu advogado pessoal, entre os 11 ministros.
Para completar a blindagem jurídica, Jorge Messias é mais confiável em razão do histórico de lealdade ao PT, considerando que Flávio Dino, o segundo ministro nomeado, é muito independente.
O resultado é que o “investimento” feito por Pacheco parece perdido.
Lula joga para a plateia de senadores, da qual vai precisar para aprovar Messias, quando diz que precisa de Pacheco candidato ao governo de Minas Gerais.
Ele sabe que suas chances seriam mínimas e apenas quis dar a impressão de que Pacheco teve seu prêmio de consolação e que, se não pegou, foi por escolha sua.
Ao preterir Pacheco, Lula, por tabela, está dizendo “não” a Alcolumbre e ao Senado que tanto o socorreu…
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