Galípolo com o diretor-geral da PF
Presidente do Banco Central posou para foto ao lado de Andrei Rodrigues no mesmo dia em que Toffoli reclamou da Polícia Federal e do BC
Não é todo dia que o presidente do Banco Central visita o diretor-geral da Polícia Federal (PF). Ainda mais com direito a foto dos dois divulgada pela PF, que disse o seguinte sobre o encontro de Gabriel Galípolo (à esquerda na foto) e Andrei Rodrigues (à direita na foto):
“Em agenda institucional, as autoridades reafirmaram a importância da cooperação e da integração entre as instituições, fortalecendo o diálogo e a atuação conjunta em temas estratégicos de interesse do Estado brasileiro.”
O encontro ocorreu no mesmo dia em que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli deu um bronca pública na PF, no único desenlace público do sigiloso caso do Banco Master.
Relator do caso, Toffoli reclamou na quarta-feia, 14, que a PF demorou para deflagar a segunda fase da Operação Compliance Zero e também deu uma cutucada no Banco Central ao recuar da determinação de que todas as apreensões fossem lacradas no STF.
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“Vulnerabilidades”
“A presente investigação possui escopo mais amplo e não se confunde com os inquéritos anteriormente instaurados, na medida em que, em tese, teria revelado que fundos eram operados para a gestão fraudulenta, o desvio de valores e o branqueamento de capitais pelo Banco Master em um quadro de suposto aproveitamento sistemático de vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização”, diz o ministro do STF no despacho.
Enquanto o Tribunal de Contas da União (TCU) alimenta a impressão de que o BC foi muito rígido ao decidir pela liquidação do Master, Toffoli chama atenção para as “vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização” que teriam permitido fraudes.
O Banco Central não deve ser poupado de escrutínio, mas o incômodo causado pela liquidação do Master em Brasília é grande e eloquente demais para ser interpretado como algo corriqueiro.
A demonstração de união entre os chefes do BC e da PF também fala por si e serve de contraponto à errática condução das investigações por Toffoli e ao sinuoso interesse do TCU no caso.
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