Flávio ainda não perdeu o eleitor independente
Pesquisa BTG/Nexus indica que quase metade do eleitorado "não polarizado", que deve definir a eleição, ainda está em disputa
As pesquisas de intenção de voto não têm trazido boas notícias para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ, foto) desde que emergiu sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em maio.
Mas o levantamento BTG/Nexus publicado na segunda-feira, 27, indica que o jogo ainda não está perdido para ele. A pesquisa mostrou que Lula ampliou a vantagem no eleitorado “não polarizado”, tido como definidor da eleição. Mas a oscilação de votos desses eleitores é grande.
O petista tem hoje 35% das intenções de voto desse eleitorado, 10 pontos percentuais a mais do que os 25% de Flávio. Na pesquisa de 13 de julho, contudo, o filho 01 de Jair Bolsonaro tinha conseguido inverter a vantagem de Lula e liderava nesse grupo por 29% a 22%.
Podem mudar
Isso ocorre porque os eleitores não polarizados, ou independentes, são aqueles com a menor taxa de certeza de voto na pesquisa Nexus: 57% dizem que a decisão de voto está tomada e não vão mudá-la, enquanto 41% afirmam que ainda podem mudar. Outros 2% não sabem ou não responderam.
Aqueles eleitores que dizem ter mais certeza do voto são os lulistas convictos (83%) e os bolsonaristas convictos (82%).
No eleitorado anti-Lula e anti-Bolsonaro, 70% já definiram o voto. Daqueles que têm Lula como alternativa, 62% não mudam mais o voto, assim como 60% dos que têm Bolsonaro como alternativa.

Precisa convencer
O problema de Flávio é que ele precisa convencer esse eleitor, e os últimos meses não têm sido bons para a candidatura do filho mais velho de Jair Bolsonaro.
O senador apareceu bem nas pesquisas de intenção de voto até surgir a história do patrocínio do filme Dark Horse, que envolve a família Bolsonaro diretamente com o caso do Banco Master.
Depois disso, ainda vieram a briga pública com Michelle Bolsonaro e o novo tarifaço de Donald Trump, que contribuíram para o enfraquecimento do projeto presidencial da família.
Depois de conseguir diminuir sua rejeição por alguns meses e soar menos radical do que os parentes, Flávio voltou a assustar uma porção maior do eleitorado nas últimas semanas.
Resultado: as chances de reeleição de Lula subiram para 63% no Polymarket, o maior patamar atingido desde que a plataforma de previsões registrou a aposta sobre a corrida eleitoral.
O baque da pré-campanha de Flávio foi evidenciado pela publicação de mais uma carta de Bolsonaro em defesa da candidatura do filho mais velho, que levou à proibição de visitas ao ex-presidente, e pela divulgação de um vídeo de Bolsonaro feito por Inteligência Artificial, que ainda promete dar dor de cabeça para a campanha presidencial do senador.
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