EUA ajudam a Argentina para afastá-la da China
Washington amplia influência sobre Buenos Aires com operação financeira que busca reduzir peso chinês na Argentina e América do Sul
Os Estados Unidos fecharam um acordo de swap de 20 bilhões de dólares com o Banco Central da Argentina e iniciaram compras diretas de pesos, numa operação articulada para conter a desvalorização da moeda local e sustentar o plano econômico do presidente Javier Milei.
O swap entre países é um acordo financeiro em que dois países, por meio de seus bancos centrais, trocam moedas entre si por um período determinado, com o compromisso de reverter a troca no futuro, geralmente com juros previamente combinados.
Esse mecanismo é usado para estabilizar moedas, garantir liquidez em moeda estrangeira ou proteger contra crises cambiais, justamente o caso da Argentina.
O movimento americano acontece depois do rápido esvaziamento das reservas argentinas e uma sequência de intervenções do Banco Central.
O acordo foi costurado entre o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, e o ministro da Economia argentino, Luis Caputo, com aval político de Donald Trump, que declarou apoio aberto ao governo argentino.
Paralelamente ao swap, o Tesouro dos EUA também passou a atuar indiretamente por meio de grandes bancos internacionais, que vêm realizando vendas de dólares para trazer mais liquidez para estabilizar o câmbio local, informa o Bloomberg Linea.
A estratégia busca evitar um resgate formal, mas demonstra o envolvimento direto de Washington na contenção da crise financeira do país.
Ainda segundo fontes da Bloomberg junto ao mercado, as operações estão sendo coordenadas em Nova York e supervisionadas por técnicos do Tesouro americano, num esforço para sustentar o peso sem comprometer a autonomia do Banco Central argentino.
Em entrevista à Fox News, Bessent destacou que Milei “é um grande aliado dos Estados Unidos. Ele está comprometido em tirar a China do seu país. Eles estão por toda a América Latina.”, frase que deixa clara a dimensão geopolítica da parceria e o que esperam de contrapartida, o que pode ser um desafio para Milei.
Em abril, a China renovou uma parcela de 5 bilhões de dólares em yuans, parte de um swap cambial de 18 bilhões que mantém com os argentinos. Esse ano, o país liderado por Xi Jinping também se tornou o maior comprador da soja argentina, sendo responsável por mais da metade de sua produção.
Washington vê na aproximação com Buenos Aires uma oportunidade para reduzir a influência chinesa em infraestrutura, energia e comunicações na América do Sul.
Essa diretriz se soma ao respaldo político de Trump, que revigorou o fôlego financeiro do governo e ampliou sua margem de manobra interna.
O impacto do anúncio do aguardado acordo trouxe alívio ao mercado portenho, com os títulos soberanos se valorizando e o peso ganhando fôlego. Mas economistas alertam que o efeito deve ser temporário.
O swap e as operações cambiais oferecem apenas um respiro até as eleições legislativas de 26 de outubro, sem corrigir o desequilíbrio fiscal crônico e a fragilidade estrutural das reservas argentinas, que seguem em níveis historicamente baixos.
Essas eleições serão muito importantes para saber se Javier Milei terá base suficiente no congresso para conseguir implantar sua agenda de reformas econômicas.
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