Energia puxa inflação para 0,48%
Inflação de setembro avança 0,48%, puxada por energia elétrica e reajustes tarifários, enquanto alimentos seguem em queda
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,48% em setembro, revertendo a deflação de 0,11% registrada em agosto.
Esse salto mensal ficou um pouco abaixo da projeção média dos analistas, que esperavam alta de 0,52%, e elevou o acumulado dos últimos 12 meses para 5,17%.
A aceleração da inflação foi puxada sobretudo pelo segmento de habitação, cujo índice subiu 2,97%, pressionado pela energia elétrica residencial, que sozinha representou impacto de 0,41 ponto percentual no resultado mensal.
A alta da conta de luz derivou do fim do Bônus de Itaipu, o que retirou subsídio que vigorava em agosto, e da manutenção da bandeira tarifária vermelha nível 2, acrescentando 7,87 reais a cada 100 kWh. Outras tarifas regionais, como água, esgoto e gás, também registraram aumentos moderados.
O salto em habitação representou o maior impacto individual desde fevereiro, e, isoladamente, foi responsável por quase todo o ritmo da inflação no mês.
Apesar desse efeito localizado, nem todos os grupos de consumo pressionaram para cima. Alimentação e bebidas recuaram 0,26%, marcando o quarto mês seguido de deflação nesse setor.
As quedas mais acentuadas vieram dos alimentos no domicílio em itens como tomate, cebola, alho, batata-inglesa e arroz, que mais puxaram a queda, enquanto alimentos fora do domicílio desaceleraram fortemente, com refeições registrando queda de 0,16%.
Também houve deflação entre artigos de residência (-0,40%) e comunicação (-0,17%). Nos transportes, o índice praticamente estagnou (alta de 0,01%) devido a um equilíbrio entre alta dos combustíveis (etanol, gasolina, diesel) e queda de seguros e da venda de passagens aéreas.
Em termos acumulados, o IPCA soma 3,64% no ano até setembro. A aceleração para 5,17% em 12 meses representa avanço em relação aos 5,13% apurados até agosto.
Economistas ajustaram ligeiramente para baixo a projeção da inflação em 2025, de 4,85% para 4,83%, enquanto mantêm esperanças de retorno aos níveis da meta em 2026.
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