E o dever de casa, Tebet?
Ministra do Planejamento celebrou inflação abaixo do teto da meta em 2025, mas não mencionou que o governo Lula jogou contra o ano todo
A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (ao centro na foto), celebrou nesta sexta-feira, 9, a taxa de inflação, que terminou 2025 em 4,26%, abaixo do teto da meta, que é de 4,5%.
“Fechamos bem o ano: IPCA de 2025 ficou em 4,26%, dentro do intervalo da meta para inflação, e 0,57 p.p. abaixo dos 4,83% registrados em 2024. Os preços dos alimentos subiram menos: 2,95% em 2025 contra 7,69% em 2024. Com mais gente empregada, massa salarial maior e preços de alimentos subindo menos, a qualidade de vida da população aumenta. É um círculo virtuoso que faz o Brasil melhorar a cada dia”, disse a ministra em seu perfil no X.
“Tão importante quanto fechar dentro da meta é a inflação baixa para o item que mais importa: alimentos, 2,9%. Menos da metade de 2024. Mais comida na mesa dos brasileiros, que tiveram aumento real do salário mínimo”, completou Tebet.
O que ela não disse
O que a ministra não disse é que o governo Lula não apenas não colaborou para essa desaceleração na inflação como dificultou o trabalho do Banco Central para controlar o aumento dos preços.
A insistência do governo em gastar de forma irresponsável é um dos principais fatores, aliás, para a taxa básica de juros estar em 15% ao ano, o maior patamar da história, há meses.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, que define a taxa Selic, voltou a alertar e pedir ajuda ao governo em sua última ata, publicada em 16 de dezembro de 2025.
“A política fiscal tem um impacto de curto prazo, majoritariamente por meio de estímulo à demanda agregada, e uma dimensão mais estrutural, que tem potencial de afetar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida e impactar o prêmio a termo da curva de juros”, diz a ata, que repete uma mensagem passada ao governo Lula desde os tempos de Roberto Campos Neto:
“Uma política fiscal que atue de forma contracíclica e contribua para a redução do prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta. O Comitê reforçou a visão de que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade. O Comitê manteve a firme convicção de que as políticas devem ser previsíveis, críveis e anticíclicas. Em particular, o debate do Comitê evidenciou, novamente, a necessidade de políticas fiscal e monetária harmoniosas.”
Sem dever de casa
A própria ministra do Planejamento já admitiu, com inusual sinceridade para um membro da equipe econômica do governo Lula, que a gestão do petista não fez o “dever de casa” do ajuste fiscal, e disse que isso deveria ficar para depois da próxima eleição, por falta de condições políticas.
De olho na permanência no poder, os lulistas não demonstram qualquer intenção de ajudar o BC a controlar a inflação neste ano eleitoral, e ainda voltaram a reclamar publicamente do alto patamar da taxa de inflação, como se não fossem a principal causa dele.
Leia mais: Só se salvaram Galípolo e o Banco Central
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Comentários (1)
Flavio marega
09.01.2026 14:48Essa vai ser a candidata imbatível para governar SP?