Dólar recua: e agora, Lula? É coisa de especuladores também?
Após ultrapassar a marca de R$ 6.30, dias atrás, a moeda americana fechou na terça-feira, 4 em R$ 5.77 - a menor cotação em quase três meses
Qualquer pessoa que entenda minimamente de macroeconomia e mercado de capitais sabe que câmbio e juros, em um país democrático, dependem de diversos fatores políticos, econômicos e estruturais, mas, principalmente, de expectativa.
Agentes financeiros, bancos, corretoras, importadores e exportadores, enfim, o tal “mercado”, que não é uma pessoa ou um grupelho de malvados sabotando o governo, buscam diariamente maximizar lucros e minimizar prejuízos.
Eu sei que deve soar exótico para Lula e os petistas, afinal, perdas não lhes interessam, já que o dinheiro que administram – de forma indevida e perdulária – não é próprio, mas dos outros, e suas vidas seguem sempre inabaladas.
Escolhas e consequências
Já quem depende do próprio trabalho para viver, precisa acertar mais do que errar, pois se a conta ficar negativa, terá duas opções: ou se endividar – em um país com juros de 15% ao ano – e tentar cobrir o rombo, ou simplesmente realizar o prejuízo e fechar as portas.
O governo, não. Por lá a banda toca diferente. Ou contrai – obviamente pagando um prêmio (juros) maior – dívida para rolar o débito, ou amplia a tal base monetária (títulos e moeda), que gera inflação e, consequentemente, “come” parte do próprio endividamento.
Um jargão do mercado financeiro diz que: juros baixos e moeda forte não dependem de vontade, mas de merecimento. Um país fiscalmente ajustado e com credibilidade política terá sempre uma moeda estável (e forte) e juros reais geralmente muito baixos.
Desenhando para ficar fácil
Quem lida com índices futuros, que acabam formando os valores do presente, olha também para o retrovisor, é claro, mas toma suas decisões a partir das próprias expectativas futuras, afinal, o que passou, passou. O importante é acertar, ou errar menos, amanhã.
Quando Lula 3 e Fernando Taxadd novamente frustraram as expectativas de controle de gastos e sinalizaram que o rombo fiscal tenderia a aumentar, a despeito da arrecadação recorde de impostos, a curva de juros subiu e o dólar foi parar em “Urano, Gleisi”.
E não porque um meme patético, de um perfil inexpressivo do X, espalhou fake news sobre o presidente do Banco Central ou porque mercado e especuladores queriam, como falsamente afirmou o governo, mas por acreditarem que o cenário ainda iria piorar.
Chame a PF agora, presidente
Após ultrapassar a marca de R$ 6.30, dias atrás, a moeda americana fechou na terça-feira, 4 em R$ 5.77 – a menor cotação em quase três meses. A razão, segundo especialistas, foi o recuo de Donald Trump em relação à sua guerra comercial particular contra o mundo.
Agora, eu pergunto: cadê os especuladores, Lula? Cadê o mercado diabólico? Ganharam muito e foram curtir no Caribe, tomando água de coco? Não. Continuam nos mesmos lugares e trabalhos, tentando ganhar a vida a despeito dos esforços contrários do governo.
O desequilíbrio fiscal permanece, a falta de rumo do governo também e o futuro não é alvissareiro. O ideal seria aproveitar o momento e cuidar da casa, para, aí, sim, derrubar a níveis decentes o dólar e distensionar a curva de juros. Mas acho que seria esperar muito de Lula e companhia.