Dirceu contra o Banco Central

05.10.2026

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Dirceu contra o Banco Central
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Rodolfo Borges
4 minutos de leitura 26.05.2025 14:36 comentários
Análise

Dirceu contra o Banco Central

Ex-ministro rompe, em carta aberta, o silêncio oportunista petista sobre o Banco Central após a posse de Gabriel Galípolo, indicado por Lula

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Rodolfo Borges
4 minutos de leitura 26.05.2025 14:36 comentários 1
Dirceu contra o Banco Central
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Em processo de reabilitação política após a anulação de condenações da Operação Lava Jato pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-ministro José Dirceu (ao centro na foto) rompeu o silêncio oportunista petista sobre o Banco Central após a posse de Gabriel Galípolo, indicado por Lula.

Dirceu, que ensaia candidatura à Câmara dos Deputados, publicou uma carta aberta para apoiar a candidatura do ex-prefeito Edinho Silva à presidência do PT, e aproveitou para falar sobre tudo.

“É preciso uma verdadeira mudança na vergonhosa concentração de renda e no cartel bancário financeiro, na política de juros e nas metas da inflação, que exigem uma radical reforma tributária e financeira, capaz de pôr fim à apropriação e expropriação da renda nacional pelo capital financeiro e agrário, num circuito entre o Banco Central e a Faria Lima, que cada vez mais concentra renda, via os juros altos únicos no mundo”, diz o petista na carta.

Segundo Dirceu, “o serviço da dívida pública e praticamente a isenção histórica [de] que gozam nossas elites da obrigação de pagar impostos limitam nossa capacidade de investimento, impedem que o Estado financie o gasto social, com o agravante de que a saída de uma elite que representa 1% da população é exatamente a manutenção do status quo e o fim do Estado de Bem-Estar Social, com o desmonte dos bancos públicos, das estatais e da nossa capacidade de planejar e financiar o desenvolvimento nacional”.

Ninguém mais vai reclamar?

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa básica de juros em todas as reuniões presididas por Galípolo.

Nas duas primeiras elevações, de 1 ponto percentual cada, os petistas puseram a culpa em Roberto Campos Neto, antecessor de Galípolo na presidência do BC, como tinham se acostumado ao longo dos dois primeiros anos do governo Lula.

Mas o Copom seguiu elevando a Selic, até chegar a 14,75% ao ano, e vem repetindo seus alertas ao governo Lula para a necessidade de “uma política fiscal que contribua para a redução do prêmio de risco e atue de forma contracíclica” nos esforços “para a convergência da inflação à meta”, como diz em sua última ata.

Dirceu não menciona Galípolo diretamente em sua carta aberta, mas ataca as decisões do Copom comandado pelo indicado de Lula, como se o governo petista não estivesse contribuindo, há mais de dois anos, para a elevação da inflação no país e, consequentemente, para a alta nos juros.

Apenas João Pedro Stedile, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), tinha ousado reclamar das decisões do Banco Central sob Galípolo, enquanto os costumeiros críticos de Campos Neto, como Gleisi Hoffmann, Lindbergh Farias e Lula fingem que não veem a continuidade da mesma política monetária conduzida pelo indicado por Jair Bolsonaro para o BC.

“Revolução social brasileira”

Na carta aberta, Dirceu diz ainda que “ao PT e às esquerdas resta a tarefa histórica de concluir a revolução social brasileira inacabada, que exige duas condições: a soberania e independência nacional, de um lado, e a democracia, de outro, num mundo onde precisamos ter lado, lutar contra a extrema-direita e o neofascismo e manter nossa política externa independente e não alinhada, guiada pelos interesses nacionais e pelo nosso projeto de desenvolvimento e integração regional”.

Segundo o petista “nosso lugar é no Sul Global, nos Brics e na relação com a América do Sul e América Latina, com a África e os países árabes”.

Dirceu diz também que “o ataque ao sindicalismo e à luta em defesa do emprego, dos direitos trabalhistas e da Justiça do Trabalho deve ser uma prioridade frente à escalada de fortalecimento do sindicalismo patronal e do desmonte da legislação que protege os direitos conquistados na luta das últimas décadas”.

Membro do diretório nacional do PT, Valter Pomar, que apresentou candidatura alternativa a Edinho, disse, em crítica à carta do colega de partido, que “a retórica é uma arte” e que as posições do ex-ministro “não são as de Edinho”. Sobre isso, eles que se entendam.

Leia mais: O discurso mofado de Dirceu

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Rodolfo Borges

Rodolfo Borges é jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Trabalhou em veículos como Correio Braziliense, Istoé Dinheiro, portal R7 e El País Brasil.

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Comentários (1)

Luis Luz

26.05.2025 15:20

Ele tem toda razão. Para que dividir a roubalheira cobrada em impostos dos pobres trouxas brasileiros com outros agentes, os bancos, os poupadores, os fundos de pensão e os demais, que emprestam dinheiro a esses vagabundos para cobrir o déficit criado pela sua incompetência na gestão (no uso público. No uso privado eles são bem competentes) do dinheiro que não é deles? O Dirceu quer é que todos os recursos sejam destinados à máquina pública, que vai gastá-lo junto a entes privados ligados ao ministro e sua claque.


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