Dennys Xavier na Crusoé: Os pósteros terão pena de nós
Toda ignorância ganhou microfone, toda vaidade ganhou câmera, todo palpite ganhou seguidores
Há de chegar o tempo (e esse tempo virá, não duvidemos) em que os homens do porvir olharão para os nossos dias não com ternura arqueológica, mas com horror civilizacional.
Não será o olhar indulgente que hoje reservamos aos que ainda queimavam livros por zelo da alma, ou aos que acreditavam curar doenças com punções espirituais.
Não.
Será espanto diante do insensato: um tempo em que os homens, podendo pensar, escolheram parasitar.
O que nos leva, por exemplo, a investir quantidade não risível de dinheiro e tempo para conhecer os mais altos registros civilizacionais da nossa história?
Investimos (e o fazemos com justo orgulho) para nos aproximarmos dos cumes civilizacionais… não por capricho ou fetiche de erudição, mas por uma necessidade profunda de reencontro com a forma mais alta do humano.
É ali, nos registros mais refinados do espírito – as tragédias gregas, os mitos egípcios, a escultura helênica, a filosofia socrática, a música barroca, os tratados de direito romano – que a humanidade deixou marcas daquilo que ela pode ser quando não se submete ao imediatismo da utilidade.
Há algo de magnânimo nesse impulso: reverenciar a grandeza de outros tempos como quem sobe a um templo para ouvir os ecos dos deuses.
O gesto civilizacional é sempre ascensional. Ele exige esforço, disciplina, silêncio. E por isso mesmo é antitético ao espírito dominante de nossa época, em que tudo é moldado pela lógica do fácil, do rápido, do emocionalmente conveniente.
Nos templos modernos, que já não são escolas em bosques/santuários nem praças, mas telas, surgem figuras que em outras eras teriam sido advertidas ao silêncio.
Há, por exemplo, um jovem de 11 anos, com voz firme e cenografia calculada, que se posta diante da câmera para anunciar aos seus “alunos” o segredo da vida: “Acorde às cinco, tome banho gelado, repita para si que nasceu para vencer, e o universo conspirará.”
O jovem nunca enfrentou luto, nunca perdeu um filho…
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