Cunha retorna sem nunca ter ido embora
Não é a primeira vez que o deputado cassado aparece articulando sem mandato, e quem se arriscaria a dizer que será a última?
Pode-se falar praticamente tudo de Eduardo Cunha, menos que lhe falta obstinação.
Retirado da presidência da Câmara por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), cassado do mandato de deputado federal por mentir em CPI e condenado a 15 anos de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Cunha praticamente nunca parou de articular na Casa parlamentar que presidiu, como indica o relatório da Operação Transparência.
Conversas do ex-deputado, que tenta voltar à Câmara formalmente, com Mariângela Fialek, servidora da Câmara responsável pelo “orçamento secreto”, mostram Cunha articulando o encaminhamento de emendas por Minas Gerais de acordo com sua própria conveniência.
“Boa tarde, desculpa mas eu não aguento mais esses mineiros enrolados. Troca a de Governador Valadares por essa, pois lá também criaram caso pedindo ofício etc. É mais fácil trocar”, diz Cunha, pelo celular da mulher, Cláudia Cruz, a Mariângela, conhecida como Tuca.
“Senão vamos ter de trocar”
“Portanto, como não servidor e ex-parlamentar, EDUARDO CUNHA exsurge como fator de influência para desvio de recursos públicos, funcionando como beneficiário direto dos malfeitos e como vetor político relevante para todo o processo”, conclui o relatório da Polícia Federal.
Em outra mensagem, Cunha considera mudar a destinação de uma emenda cuja destinação estava confusa e poderia acabar beneficiando um grupo inimigo.
“Oi. Se puder. Tou com um problema lá em uma das emendas de Manhuaçu que o pessoal lá é inimigo e estão dizendo que é do Nikolas. Como pôs no Gilberto Abramo, preciso de um ofício dele dizendo que essa emenda é de autoria dele, a pedido do Deputado estadual João Magalhães, senão vamos ter de trocar e não mandar para lá”, diz a mensagem, que cita o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) como inimigo e seu colega Gilberto Abramo (Republicanos-MG) como amigo.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou o bloqueio de 6,15 milhões de reais de Cunha, valor somado das 21 emendas cuja destinação ele teria indicado.
Deputado oculto
Essa está longe de ser a primeira vez que Cunha aparece articulando na Câmara sem ter mandato parlamentar. Há rastros de sua influência no mandato da filha Dani Cunha (PL-RJ), eleita deputada federal em 2022, quando o pai não conseguiu se eleger deputado federal por São Paulo.
Isso ficou mais claro na aprovação da PEC antiaborto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, em 2023. Naquele mesmo ano, o deputado cassado foi apontado como responsável pelo esvaziamento do União Brasil no Rio de Janeiro.
Dani concorreu à Câmara sem sucesso em 2018, então pelo MDB, partido pelo qual Cunha presidiu a Câmara. Seu grande ato naquela época foi receber o processo de impeachment que acabaria por derrubar Dilma Rousseff da Presidência da República, algo que o deputado cassado usa na pré-campanha para tentar retornar formalmente à Câmara, de onde parece nunca ter saído.
Leia mais: Defesa diz que Cunha não tem relação formal com emendas
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Comentários (1)
Annie
13.07.2026 11:42Esse nunca saiu das tetas e nem vai sair .