Crusoé: Mercado não vê a dívida pública escorregar para o buraco
Continuar fingindo que está tudo bem pode ser um erro. Quando o mercado financeiro acordar, alguém vai pagar a conta
Enquanto a nossa Bolsa de Valores segue animada e o dólar parece adormecido na casa dos 5,50 reais, a realidade das contas públicas brasileiras mostra um desequilíbrio cada vez mais difícil de ignorar.
O governo fechou o mês de junho com um déficit primário de 44,3 bilhões de reais, um rombo que, por si só, já deveria acender vários alertas. Mas não é só isso: a despesa obrigatória (Previdência, servidores, programas assistenciais etc.) continua crescendo, enquanto o investimento público derrete. É como se o país estivesse consertando o telhado com fita crepe durante um temporal.
Com um superávit acumulado nos últimos 12 meses, de 15,3 bilhões de reais, o quadro fiscal vem se fragilizando.
O peso com Previdência, sozinha, subiu 5,7% só em junho. Já os investimentos, que indicam o futuro do país, caíram 14,4% no ano.
O governo parece se equilibrar sobre números questionáveis (a famosa “matemágica), apostando em arrecadações pontuais, como se fossem recorrentes, e liberando 20,6 bilhões de reais de despesas que estavam travadas, tudo para manter de pé a promessa de um arcabouço fiscal que, na prática, se mostra frágil e cheio de exceções.
Enquanto isso, o mercado financeiro parece preferir olhar para outro lado.
Apesar da nossa atrativa taxa de juros e ativos sólidos com valor depreciado, o investidor estrangeiro já tira o pé do nosso acelerador, temeroso do foco de Trump no país, delineando que é o investidor local que mais sustenta esse movimento, ignorando que a trajetória fiscal do Brasil é insustentável.
Economistas como Jason Vieira já soaram o alerta, mas pouca gente escuta. O governo tenta vender como conquista o fato de o déficit estar “só” em 1% do PIB desde 2023.
Mas, em tempos de juros de 15% e pressão por gastos (ano que vem tem eleições), isso não é virtude, ao contrário, é um sinal de risco crescente…
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