Crusoé: Chavismo de joelhos para Trump
Alto escalão se rende ao controle financeiro dos EUA em troca de sobrevivência política e física
Por décadas o chavismo se orgulhava de enfrentar o “imperialismo norte-americano”.
A captura do ditador Nicolás Maduro, no último sábado, 3, silenciou os estrondos retóricos do regime venezuelano.
Em busca de sobrevivência política, e física, os remanescentes do alto escalão da estrutura chavista se renderam aos interesses dos Estados Unidos.
Petróleo
A atual presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, concordou em entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo bruto.
Não só isso, como também aceitou a perda total da sua autonomia financeira.
Os recursos obtidos com a venda de petróleo e derivados venezuelanos serão “depositados em contas controladas pelos Estados Unidos”.
“Esses fundos serão distribuídos em benefício do povo americano e do povo venezuelano, a critério do governo dos EUA. As vendas de petróleo começam imediatamente, com a previsão de venda de aproximadamente 30 a 50 milhões de barris, e continuarão por tempo indeterminado”, diz trecho da nota oficial do Departamento de Energia dos EUA.
Soma-se a isso a reconhecida dependência técnica – agora admitida – da importação de diluentes dos EUA, deixando claro a incapacidade da estatal PDVSA de operar de forma independente.
Na sequência, Trump anunciou que as receitas do petróleo seriam usadas exclusivamente para a compra de produtos americanos.
Com isso, Washington reduz a dependência tecnológica que Caracas mantém em relação à China, Irã e Rússia.
A passividade do regime chavista contrasta com o discurso de semanas atrás, quando o chavismo jurava que “nem uma gota de petróleo” sairia para os EUA.
Diosdado Cabello
A revelação da agência Reuters de que o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, teria recebido um aviso de que seria o próximo alvo dos Estados Unidos também contrasta com a retórica agressiva de dezembro,
Até o momento, o homem que controla o aparato repressivo não retomou a narrativa de “guerra popular prolongada”.
Mas Cabello pode se tornar um entreve e sabotar o processo de aproximação entre os Estados Unidos e Venezuela.
Paralelamente, teme ter o mesmo destino de Maduro, uma vez que também foi acusado de narcotráfico no mesmo indiciamento divulgado no sábado, 3.
Influência máxima
Nesta quarta, 7, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o governo Trump tem “influência máxima” sobre as autoridades interinas na Venezuela.
“Com relação à Venezuela, o governo Trump, liderado pelo secretário [Marco] Rubio, pelo vice-presidente e por…
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