Censura seria um prêmio para ‘Dark Horse’
A única salvação do filme sobre a eleição de Bolsonaro patrocinado por Vorcaro seria servir à propaganda de vitimização antissistema
Os melhores amigos dos lulistas na corrida eleitoral deste ano são os bolsonaristas, e vice-versa.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) estendeu o período de agenda positiva comprado por Lula às custas do erário com iniciativas eleitoreiras ao se enrolar nas explicações sobre a relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, grande patrocinador do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
Em retribuição, o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) e o grupo Prerrogativas protocolaram uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a proibição de exibição pública, lançamento comercial, pré-estreia, sessões promocionais e distribuição do filme no período eleitoral.
A julgar pelo roteiro, o filme de fato exagera na tentativa de retratar Bolsonaro como um herói, ao dizer que o ex-presidente foi vítima da facada na eleição de 2018 porque um traficante preso por ele queria se vingar — e sugerir o envolvimento até do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes na trama com o vilão conhecido pelo apelido de “Cicatriz”.
Mas, na perspectiva da família Bolsonaro, uma censura oficial seria o melhor destino possível para esse filme, que pode ter decretado a derrota de Flávio nas urnas neste ano. Aliás, essa seria a única salvação, no limite do possível, para Dark Horse: servir à propaganda de vitimização antissistema.
TSE
Seria o mesmo papel prestado na eleição de 2022 pelo documentário da produtora Brasil Paralelo sobre a facada em Bolsonaro, proibido pelo TSE de ser exibido antes do fim da votação, mesmo sem que os ministros do tribunal soubessem mais o que o título da produção.
Quando veio ao ar, o documentário não justificou os receios dos ministros do TSE.
O tribunal já decidiu atuar de forma diferente neste ano, quando permitiu que a Acadêmicos de Niterói pusesse na Marquês de Sapucaí um desfile de promoção de Lula, que ironicamente rendeu à escola de samba um rebaixamento para a divisão de acesso do carnaval do Rio de Janeiro.
Se for para Dark Horse fracassar, que seja pelas próprias pernas, repetindo o que ocorreu com o desfile a favor de Lula. Já se especula que o filme terá dificuldade, inclusive, de conseguir salas de cinema para ser exibido. Qualquer interferência estatal para além disso soará como um prêmio.
Leia mais: Flávio entra para a seleção de Lula
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Comentários (1)
Clayton de Souza Pontes
25.05.2026 10:34Esse filme é uma ficção de péssimo gosto