Bolsonaro e STF: entre tapas e beijos

09.01.2026

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O Antagonista

Bolsonaro e STF: entre tapas e beijos

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Felipe Moura Brasil
4 minutos de leitura 07.04.2025 13:06 comentários
Análise

Bolsonaro e STF: entre tapas e beijos

Família do ex-presidente luta há 6 anos por impunidade e só reclama do conchavo alheio

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Felipe Moura Brasil
4 minutos de leitura 07.04.2025 13:06 comentários 1
Bolsonaro e STF: entre tapas e beijos
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Os Bolsonaro lutam há mais de 6 anos por impunidade.

Antes, em razão de “rachadinhas”. Agora, de tramas golpistas e 8/1.

Se nunca tivessem registrado funcionários fantasmas, nem incentivado ataques ao processo eleitoral, não precisariam.

No primeiro caso, tiveram apoio do sistema, compartilhando a blindagem que favoreceu Lula. No segundo caso, usado para fazer pose antissistema, não tiveram o mesmo apoio (como apontei em 10/8/2021, 17 meses antes do 8/1/2023).

Todas as oportunidades

O bolsonarismo teve todas as oportunidades para interromper os ataques ao processo eleitoral e desmobilizar os aloprados que acreditaram em suas lorotas sobre urnas eletrônicas.

Mas é da natureza bolsonarista esticar a corda e chorar quando ela arrebenta, posando de vítima de perseguição política à “direita” — campo ideológico usurpado e manchado pelo maior radical do Centrão.

Há politicagem em tribunais superiores?

Claro que há.

Os Bolsonaro se beneficiaram dela no STF e no STJ no caso de Flávio (à direita na foto); agora torcem para que a mudança no TSE em agosto de 2026 os beneficie de novo no caso de Jair (à esquerda na foto).

Leia mais: Como Bolsonaro pretende “sair dessa”

Mas a politicagem nem sempre é a favor. E abusos decorrentes dela jamais eximem de responsabilidade quem teimou em aloprar, julgando ter as costas quentes.

***

Kassio Nunes Marques, o primeiro indicado por Jair Bolsonaro ao STF, ajudou a blindar, entre outros:

  • Lula;
  • Flávio Bolsonaro;
  • Fernando Collor de Mello;
  • Aécio Neves e Eduardo Azeredo;
  • Arthur Lira e Ciro Nogueira;
  • Cristiano Zanin e Frederick Wassef;
  • e o bicheiro Rogério Andrade.

Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski ajudaram Kassio a blindar Flávio com foro privilegiado retroativo na Segunda Turma do STF, enquanto Kassio ajudou os respectivos indicados dos governos do PSDB e do PT a blindar tucanos e Lula.

Na ocasião, Kassio votou contra o parecer da PGR pelo uso da delação de Antônio Palocci em processo contra Lula e a favor da validação em plenário do julgamento da Segunda Turma que declarou a suspeição de Sergio Moro — neste caso, apesar dos protestos de Luiz Edson Fachin contra a manobra de Gilmar de pautar o pedido de suspeição (que havia engavetado por mais de dois anos) após a perda de seu objeto.

Kassio também votou a favor do envio para a defesa de Lula da íntegra das mensagens de conteúdo jamais autenticado, roubadas da Lava Jato e exploradas com ilações para legitimar a blindagem do petista.

Kassio ainda votou a favor do orçamento secreto implementado durante o governo Bolsonaro e, no TSE, contra o mandato de deputado federal de Deltan Dallagnol, ajudando o sistema a retaliar o ex-procurador da Lava Jato com uma das maiores piruetas da história do Poder Judiciário.

No STJ, para anular quebras de sigilo que escancararam as práticas de Flávio em seu gabinete, a família Bolsonaro contou com João Otávio de Noronha, que o então presidente prometia indicar ao STF.

“A CPI foi engavetada num acordão”

Isto sem falar em Dias Toffoli, que colaborou paralisando a investigação por quatro meses, durante os quais Jair, Flávio e Eduardo atuaram para blindar o ministro do STF contra a CPI da Lava Toga.

Leia mais: 6 anos de inquérito das fake news: conheça sua verdadeira história

“A CPI foi engavetada num acordão, que envolveu PT, Bolsonaro e um pedaço do Centrão. O relator que deu o parecer dizendo que a CPI não deveria avançar foi o petista sergipano Rogério Carvalho, apoiado pelo amigo Flávio Bolsonaro. Juntos. Isso tudo está documentado, não adianta querer mentir agora, a essa altura do campeonato”, reiterou recentemente o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que encabeçava o pedido de criação da comissão para investigar Toffoli, inclusive pela abertura do inquérito das fake news; entre outros ministros, como Gilmar.

Leia mais: A lista de agrados entre Bolsonaro e Gilmar

Segundo Vieira, um militar que atuava no STF como ajudante de ordens de Toffoli havia cobrado dele a lista de signatários do requerimento, o que dera início à pressão pela retirada de assinaturas.

O bolsonarismo nunca repudiou esquemas e conchavos por princípios, mas, sim, quando beneficiam somente seus rivais e/ou prejudicam seus próprios líderes e integrantes.

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Felipe Moura Brasil

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Comentários (1)

ISABELLE ALÉSSIO

07.04.2025 18:56

Gostei da análise !


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