Como Bolsonaro pretende “sair dessa”

19.04.2026

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O Antagonista

Como Bolsonaro pretende “sair dessa”

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Felipe Moura Brasil
4 minutos de leitura 06.04.2025 19:14 comentários
Análise

Como Bolsonaro pretende “sair dessa”

Entenda a fala do ex-presidente na Av. Paulista

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Felipe Moura Brasil
4 minutos de leitura 06.04.2025 19:14 comentários 5
Como Bolsonaro pretende “sair dessa”
Reprodução/ YouTube

Jair Bolsonaro conta com o Centrão do STF para reverter no TSE sua inelegibilidade:

“Nós temos como sair dessa. Ano que vem o TSE terá um perfil completamente de isenção e podemos voltar a confiar nas eleições no ano que vem”, disse o ex-presidente na Av. Paulista, durante ato realizado alegadamente a favor de anistia para os envolvidos no 8/1.

A fala confirma a esperança nutrida e explorada por sua família com as mudanças na composição da Corte em agosto de 2026, meses antes da disputa pela presidência da República.

Eduardo Bolsonaro já havia declarado em dezembro de 2024 que a nova configuração do TSE para “vai ser muito mais equilibrada do que com Alexandre de Moraes”.

“Não vai ter só gente que Bolsonaro indicou. Terá o ministro Toffoli, que muitas vezes é mais equilibrado que Cármen Lúcia. Muito menos ideológico. Dos três ministros do STF no TSE, teremos Kassio Nunes, Dias Toffoli e André Mendonça.”

Toffoli, que paralisou por quatro meses, em 2019, as investigações das “rachadinhas” de Flávio Bolsonaro, foi blindado contra a CPI da Lava Toga com ajuda da família Bolsonaro naquele ano, quando Flávio e Jair pressionaram parlamentares pela retirada de assinaturas do requerimento de criação da comissão, encabeçado pelo senador Alessandro Vieira.

Sim: a esperança do bolsonarismo é novamente o ministro indicado por Lula.

Sim: o mesmo que abriu o inquérito das fake news, entregando a relatoria, sem sorteio, a Alexandre de Moraes, que vota e decide contra o ex-presidente, seus ativistas e aliados.

Mas Jair Bolsonaro, claro, disparou suas narrativas e lacrações na Paulista:

“O atual sistema busca cada vez mais tirar da cédula eleitoral do ano que vem as liderança de direita. O Caiado tá aqui inelegível. Vai recuperar a elegibilidade dele, se Deus quiser. Eu estou inelegível, porque me reuni com embaixadores. Eu não me reuni com traficantes no Morro do Alemão, como o Lula fez.”

Bolsonaro está inelegível, porque abusou do poder de presidente ao usar o Palácio da Alvorada e os meios de comunicações oficiais para atacar a legitimidade das eleições, fazer discurso autopromocional de candidato e desqualificar seu adversário no pleito.

Eu, Felipe, analisei a decisão, à época e à luz das leis, em artigo e vídeo, acrescentando que o TSE libertou a direita de Bolsonaro.

Embora a maioria do povo que se identifica com a direita não seja bolsonarista (como mostrou a pesquisa Quaest), o ato deste domingo, 6, mostrou pré e potenciais candidatos que se dizem direitistas ainda presos ao ex-presidente. 

Mas não é que desejem, necessariamente, a candidatura de Bolsonaro, é que o ex-presidente tende a ficar fora do jogo sem que eles se desgastem em embates com o bolsonarismo.

Outro problema para Bolsonaro é que ele pode ficar duplamente inelegível, se for condenado à prisão pelo STF no caso da trama golpista. 

Assim, a menos que se destrua a Lei da Ficha Limpa, não bastaria um Toffoli para chamar de seu no TSE. Seria necessário unir todo o Centrão do STF contra a nova condenação. 

A maior e talvez única chance de isso acontecer é que Lula, com sua influência sobre ministros do Supremo, prefira enfrentar Bolsonaro – rejeitado, como ele, por 55% da população -, assim como a família Bolsonaro preferiu Lula solto para que Flávio também ficasse impune.

Isso mesmo: uma reviravolta no quadro eleitoral de 2026 depende, entre outros conchavos, do mesmo bolsolulismo que acabou com a Lava Jato.

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Felipe Moura Brasil

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Comentários (5)

Fabio B

07.04.2025 16:30

Pedro Boer, o Bolsonaro fez exatamente esse cálculo político quando facilitou a soltura do Lula. E o resultado? Foi o primeiro presidente, desde que o segundo turno foi instituído, a fracassar na reeleição. Quanto ao presente, algumas alas do PT podem até querer repetir esse mesmo jogo arriscado da polarização, mas isso não aconteceria sem consequências. Um racha na atual conjuntura de forças dentro do STF seria bem possível, e o Centrão, que hoje desfruta de um tanto de benesses sem obstáculos, poderia sofrer alguns viés e sobressaltos, assim, talvez prefiram manter tudo como está. Sinceramente, depois de tudo o que aconteceu, a chance de Bolsonaro voltar a concorrer é mínima. Ele ainda tem uma fila de processos de inelegibilidade que devem resultar em condenações sucessivas. Ou seja, é bom "Jair" acostumando-se com a ideia de que seu "mito" jamais voltará às urnas.


Pedro Boer

07.04.2025 13:03

Bolsonaro será elegivel, ganhará a eleição, esse é o fato wue deixa o PT sem rumo.


Um_velho_na_janela

07.04.2025 10:13

Se for escarafunchar bem no fundo sobre tendências, previsões e possibilidades político eleitorais, veremos que tudo se traduz em fórmulas contábeis de como dividir o botim nos próximos quatro anos, tudo avalizado pelo Sistema Corrupto e Criminoso vigente, normatizado por uma constituição leniente, impunitiva e cúmplice.


Marcia Elizabeth Brunetti

07.04.2025 08:48

Pelo jeito essa manifestação não flopou. É assustador que possa haver uma chance para o Bozo voltar. Espero que ainda haja esperança do capetão ser preso.


Fabio B

06.04.2025 20:22

Não duvido que a ala do STF mais simpática ao PT esteja disposta a devolver a elegibilidade ao Bolsonaro. Mas e o Centrão? Será que realmente querem ele solto, tumultuando o jogo? Hoje, eles já têm o que sempre quiseram: controle do orçamento e poder como nunca tiveram com outro presidente. Por que arriscariam esse equilíbrio enfrentando ministros contrários à reabilitação do Bolsonaro? Vale lembrar: ele não é o Lula, não tem a mesma lealdade interna nem simpatia real entre os próprios "aliados". O mais provável é que o Centrão prefira o mito inelegível, preso e útil como cabo eleitoral, pendurado na parede como troféu, servindo para eleger seus oportunistas de plantão.


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