Aos 44, Alonso é o piloto mais velho da F1 dos últimos 50 anos
E no que vem ele deverá bater a marca de Graham Hill, fechando sua temporada 2026 com 45 anos e 5 meses - isso se realmente se aposentar
Fernando Alonso alcança, agora em 29 de julho de 2025, a marca de 44 anos como piloto titular na Fórmula 1, se tornando o primeiro a disputar Grande Prêmios nessa faixa etária desde Graham Hill, em 1975.
Com 415 Grandes Prêmios (dependendo da contagem), o espanhol é o piloto com maior número de largadas na história da categoria, um dado relevante não apenas pela resistência física, mas pela capacidade de adaptação às transformações técnicas do esporte em mais de duas décadas.
Desde sua estreia pela modesta Minardi em 2001, Alonso atravessou múltiplos regulamento, com pneus raiados, pneus mais estreitos, mais largos, carros menores, maiores, motores V10, V8 aspirados, a atual era híbrida V6 turbo e ainda vai pegar a próxima, com a parte elétrica ainda mais forte.
Em seu primeiro ano na categoria, disputou com nomes históricos de outra geração como Mika Häkkinen, Eddie Irvine, Heinz-Harald Frentzen, Jos Verstappen, pai de Max e até Jean Alesi, que começou a correr pela Tyrrell no fim dos anos 80
Sua longevidade pode ser explicada por alguns fatores técnicos: habilidade em contribuir no desenvolvimento de carro, adaptação a diferentes estilos de pilotagem, grande controle de desgaste de pneus e redução drástica dos testes permitidos para as equipes de Fórmula 1.
Essas características permanecem tendo grande peso mesmo com limitações naturais de reflexos e tempo de reação associados à idade.
Após seu retorno à F1 em 2021 – após seguir ativo na WEC, Indy 500 e até rally, o desempenho de Alonso foi muito bom, com destaque para 2023, quando conquistou oito pódios pela Aston Martin.
Sim, mas duas temporadas seguintes não foram tão boas, mas isso de seu sobretudo graças à péssima capacidade de desenvolvimento da equipe, que agora parece estar se reencontrando nesse aspecto.
Em 2025, após 12 etapas, ele soma apenas 16 pontos e ocupa a 14ª posição no campeonato. Não subiu ao pódio nem conquistou poles ou voltas mais rápidas — reflexo direto das deficiências técnicas do AMR25, especialmente em eficiência aerodinâmica e gerenciamento térmico dos pneus.
Só para lembrar, Alonso já ultrapassou os marcos atingidos pelo heptacampeão Michael Schumacher (43 anos ao fim de 2012) e pelos campeões Kimi Räikkönen (42 em 2021) e Nigel Mansell (41 no breve retorno de 1995).
Outro bicampeão, o inglês Graham Hill, é o único nome comparável, tendo corrido até os 45 anos e 2 meses, numa época muito mais perigosa da Fórmula 1, mas tida como fisicamente menos exigente.
Esse número também deverá ser alcançado pelo espanhol, que tem contrato para correr 2026, quando terminará a temporada com 45 anos e 5 meses. Lewis Hamilton, outro veterano do grid, que também tem contrato para o ano que vem, deverá chegar aos 41 anos e 10 meses no fim do próximo campeonato.
Só para seguir nas comparações, o brasileiro mais velho a disputar uma corrida de Fórmula 1 foi Rubens Barrichello, aos 39 anos e 6 meses no GP de Abu-Dhabi de 2011, quando se aposentou após 19 anos na categoria.
O envelhecimento na F1 atual não impede a competitividade absoluta, mas poder afetar um pouco seus reflexos e resistência física, deficiências que Fernando em tese compensaria com uma melhor leitura tática de prova e consistência, somando sua valiosa experiência com sua equipe técnica.
Outro fator, que já mencionei acima e não afeta apenas a ele, é que desde meados de 2010 as possibilidades de testes privados das equipes de Fórmula 1 foram drasticamente reduzidas.
Com isso, colocar um piloto novato com pouca quilometragem se tornou uma aposta de alto risco para as equipes, que acabam valorizando quem já sabe o “caminho das pedras” — especialmente no caso de um bicampeão que ainda se mostra rápido e motivado.
A marca de 44 anos, nesse contexto, representa menos um feito simbólico e mais um experimento real sobre os limites fisiológicos e de motivação pessoal de Fernando Alonso em um ambiente de altíssima exigência técnica e física.
Se depender da motivação do espanhol, Louis Chiron, que correu até os 55 anos, que se cuide.
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