Ao atacar o português de Zema, Gilmar Mendes mostra-se como é
O próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, está longe de ser um erudito, e o ministro jamais atacou o petista por isso
Definição de patrimonialismo: Patrimonialismo é um conceito sociológico, formulado por Max Weber, que define um modelo de dominação onde não há distinção clara entre as esferas pública e privada. O governante trata o patrimônio do Estado como seu próprio bem pessoal, resultando em personalização do poder, corrupção, nepotismo e troca de favores.
Definição de coronelismo: O coronelismo foi um sistema de poder político local predominante na Primeira República Brasileira (1889-1930), caracterizado pelo domínio de grandes proprietários rurais, os “coronéis”, sobre a população. Baseava-se no clientelismo, troca de favores e voto de cabresto, onde o coronel garantia votos para oligarquias em troca de verbas e controle local.
Definição de elitismo: Elitismo é a crença ou sistema social que favorece uma minoria com alto poder, riqueza, intelecto ou prestígio, considerando-a superior e mais capaz de governar ou liderar do que a maioria. Baseia-se na exclusividade e na hierarquização social, frequentemente limitando o acesso a recursos e decisões importantes.
Mais definições
Definição de arrogância: Arrogância é uma atitude de prepotência, orgulho excessivo e auto exaltação, onde a pessoa se considera superior aos demais, desdenhando opiniões alheias e demonstrando falta de humildade. Caracteriza-se pela insolência, soberba e crença de saber tudo, frequentemente mascarando inseguranças profundas ou fragilidades internas.
Definição de prepotência: Prepotência é o abuso de poder, autoridade ou superioridade, caracterizado por atitudes autoritárias, arrogantes e desrespeitosas que visam oprimir ou impor a própria vontade. Exemplos incluem chefes que ignoram sugestões, interrupções constantes na fala e arrogância.
Definição de soberba: A soberba é um sentimento de superioridade, arrogância e orgulho excessivo, caracterizado pelo desprezo pelos outros e pela presunção de perfeição. Considerada um vício capital ou pecado “raiz”, manifesta-se através da prepotência, busca por reconhecimento e recusa em aceitar erros, frequentemente levando ao isolamento social e falhas pessoais.
Erro de forma e de conteúdo
O ministro Gilmar Mendes poderia criticar e combater o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, de várias formas, ainda que não caiba a um membro do Supremo o papel de agente político.
Ele poderia apontar as incongruências entre o discurso e a administração Zema. Por exemplo: o ex-governador critica o aparelhamento do Estado pelo PT, mas criou dezenas de cargos comissionados em seu governo para abrigar os aliados do partido Novo. Zema, igualmente, critica o governo federal por gastos desnecessários e sigilos para tudo, e, em seu governo, concedeu dezenas de bilhões de reais em incentivos fiscais, muitos deles sob o mesmo sigilo que critica. E sim. Graças a uma decisão correta do STF, e não a um favor pessoal de Gilmar Mendes, Minas Gerais assistiu ao seu parcelamento da dívida com a União – dívida imoral, diga-se de passagem – ser suspenso, mas isso não ajuda em nada o decano da Corte em sua rinha com o mineiro.
Mas Gilmar Mendes é Gilmar Mendes. Nas palavras de seu ex-colega, Luís Roberto Barroso, “Uma pessoa horrível, mistura do mal com atraso e pitadas de psicopatia” – e eu, Ricardo, não necessariamente endosso as palavras do ex-ministro. Ao atacar a baixa proficiência de Zema no uso do vernáculo, como gostava de dizer o também ex-ministro Joaquim Barbosa – outro com quem Gilmar se desentendia com frequência -, ele externa todo o seu elitismo e preconceito. Mais: escancara aquilo que pensa: que é superior a todos.
Brasil profundo
Oriundo de um estado (Mato Grosso), da região Centro-Oeste, onde a forma “caipira” de falar assemelha-se a Minas, Goiás e o interior de São Paulo, Mendes não deveria desdenhar de Zema por esse aspecto. Até porque, convenhamos, o próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, está longe de ser um erudito, e Gilmar jamais atacou o chefão petista por isso. Ele deveria ater-se exclusivamente ao campo da discussão proposta por Zema.
O diabo é que, sendo assim, Gilmar Mendes teria de adentrar ao campo dos contratos multimilionários de esposas de seus colegas; das transações comerciais de ministros com investigados no STF; da blindagem jurídica de afetos e outras situações que, hoje, colocam o Supremo, perante a opinião pública, como um verdadeiro balcão de negócios – nas palavras de Romeu Zema – dominado por dois ou três “intocáveis”.
Aliás, finalizo com outra definição. Intocável: Refere-se a algo/alguém que não pode ser tocado, alterado, atacado ou criticado, indicando inalterabilidade, santidade ou proteção excessiva. Pode descrever uma pessoa ilibada, um objeto sagrado, ou denotar uma posição de privilégio inquestionável.
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Comentários (1)
Liana Palacios
23.04.2026 10:54Parabéns pelo artigo ticou todas as características. Quanto maior a altura, maior é o tombo. A hora dele há de chegar.