Anne Dias na Crusoé: Erika Hilton, a mulher do ano?
Deputada votou contra projeto que aumentava o tempo mínimo de cumprimento de pena para condenados por estupro e homicídio de vulneráveis
A escolha da revista Marie Claire de nomear Erika Hilton como Mulher do Ano é uma afronta às mulheres brasileiras.
Não digo isso por ela ser uma mulher trans, mas sim pelo impacto real de suas posições na vida das próprias mulheres que a revista afirma representar.
Quando uma publicação nacional decide transformar em símbolo alguém cuja atuação política trouxe retrocesso e ataques às pautas femininas, ela revela que perdeu completamente a conexão com a realidade e com as necessidades reais das mulheres do país.
Nascida em 1992, em Franco da Rocha, Erika Hilton se filiou ao Psol e ganhou projeção ao ser eleita vereadora em 2020 em São Paulo e deputada federal em 2022.
Sua transição de gênero aconteceu ainda na adolescência e a acompanhou durante sua entrada na vida pública.
Nada disso, porém, transforma sua presença na política em sinal de inclusão ou avanço para as mulheres. Pelo contrário, é uma história que se mostra bem mais problemática do que aparenta.
Como deputada federal, cargo que lhe confere o dever de proteger as mulheres, Erika Hilton faz o oposto.
No mesmo ano em que foi escolhida pela revista, ela votou contra o projeto que aumentava o tempo mínimo de cumprimento de pena para condenados por crimes hediondos, incluindo estupro e homicídio de vulneráveis.
A proposta elevava o período obrigatório na prisão de 2 para 3 anos antes da progressão, e, nos casos de crimes cometidos com violência contra a mulher, poderia chegar a 5 anos.
Esse aumento atingia diretamente estupradores reincidentes e assassinos de mulheres, que hoje se beneficiam de uma legislação frouxa.
No mesmo país onde quatro mulheres são assassinadas por dia…
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