A volta de Jesus está próxima?
Novo treinador da seleção brasileira deve ser escolhido em breve; ex-Flamengo desponta como favorito
O presidente CBF, Ednaldo Rodrigues, garantiu que o novo comandante da Seleção será escolhido antes dos próximos jogos das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026. “Em breve, anunciaremos o nome do técnico, a tempo de fazer a convocação para os dois jogos das Eliminatórias, na data FIFA de junho”. De acordo com o jornalista Mauro Cezar Pereira, a entidade está pronta para pagar a multa.
Uma decisão parece estar tomada: o próximo salvador da pátria virá de além-mar. Entre os nomes especulados, o luso Jorge Jesus é o favorito. Atualmente no Al-Hilal, fez sucesso em rápida passagem pelo Brasil. Campeão da Libertadores e do Brasileiro de 2019 com o Flamengo, deixou saudades no torcedor rubro-negro e medo nos torcedores rivais. Que venha com caravelas e tudo.
A unanimidade é burra?
Caso tenhamos fé em declarações e rumores, Jesus quer treinar a Seleção, os cartolas querem que Jesus treine a Seleção e os torcedores que ainda se importam com o escrete canarinho só pensam naquilo. Mas o português não é unanimidade. Diversos “professores” brasileiros, e alguns ex-jogadores, não se sabe se por xenofobia ou ciúme, fazem beicinho e rejeitam a ideia.
De acordo com Dunga, treinador estrangeiro “é uma bengala para o futebol brasileiro”.
Roger Machado, do Internacional, jura que os técnicos brasileiros “não devem nada aos estrangeiros”.
Jorginho, lateral campeão em 94, defende que a Seleção “é para ser treinada por um treinador brasileiro”.
Para Rivaldo, meia campeão em 2002, um estrangeiro comandando o Brasil seria “falta de respeito”.
Vanderlei Luxemburgo, que já foi estrangeiro quando treinou o Real Madrid, reclama do excesso de estrangeiros trabalhando aqui.
Precisamos de milagres
Que treinadores ultrapassados ou enciumados, que ex-jogadores ignorantes do jogo e ainda assim comentaristas, não sejam capazes de entender o óbvio, mostra o quanto precisamos de uma invasão colonialista nos gramados, nos bancos e nos vestiários do país. Inclusive porque muitos desses admitem que aprenderam com a melhor escola brasileira de outros carnavais. Eles se lembram do que nós esquecemos.
É evidente que a questão não é a nacionalidade e sim o conteúdo de quem treina. Estrangeiros não são bons porque nasceram noutras terras e falam outras línguas. Mas quem quer que preste um mínimo de atenção ao, aspas, desempenho da Seleção, e quem acompanhe o atraso tático de muitos times brasileiros, gostaria de ver, ao menos uma vez, um samaritano que estenda a mão aos nativos.
Desde o título mundial de 2002, ensaiamos variações desafinadas de um mesmo tema: Parreira perde o controle de um grupo individualmente excepcional em 2006; Dunga impõe uma ineficaz ditadura em 2010; Felipão sofre – e nos faz sofrer – o vexame inesquecível de 2014; Tite implementa seu pragmatismo de CEO em 2018, fracassa, tem nova chance em 2022, fracassa.
Quase às vésperas de mais uma Copa, com a vaga ainda sub judice, será mesmo que cogitar Guardiola, tentar Ancelotti, sondar Abel Ferreira ou rezar pela possível segunda vinda de Jesus é pedir demais a Deus? Ainda que, como Pedro, eu duvide três vezes, e com a CBF nos traindo por trinta moedas de ouro, quero continuar acreditando em milagres.
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Comentários (2)
Marian
10.04.2025 18:18Que título horrível Antagonista. Não sou religiosa, mas isso é assunto sério para Cristãos viu?
Marcia Elizabeth Brunetti
10.04.2025 17:46Acho que nem Jesus salva!