A maior fragilidade de Flávio Bolsonaro
Pesquisa AtlasIntel sobre as raízes da rejeição aos pré-candidatos à Presidência indica a maior vulnerabilidade do filho 01 de Bolsonaro
Jair Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe de Estado e está preso desde o fim de 2025. Sem poder concorrer nas eleições deste ano, designou o primogênito como seu sucessor, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ, foto) rapidamente absorveu as intenções de voto do pai.
Ainda desconhecido pela maioria da população brasileira, o pré-candidato presidencial do PL também absorveu rapidamente a rejeição ao pai. A pesquisa AtlasIntel Raízes da Rejeição, encomendada pela Arko Advice e divulgada nesta semana, joga luz sobre o que motiva essa rejeição.
A principal razão mencionada para não votar em Flávio, por 74,4% daqueles que o rejeitam, é não querer “um governo parecido com o de Jair Bolsonaro”. E o principal motivo para essa vontade não é “autoritarismo/ caos institucional”, como se poderia imaginar pela condenação de Bolsonaro.
Pandemia
O autoritarismo foi selecionado por 18,7% daqueles que já votaram em Bolsonaro e hoje o rejeitam. O item mais mencionado para a mudança de voto, por 28,6%, foi “erros na condução da pandemia”.
Outra pesquisa recente já indicou que a maior parte da população brasileira (54%) considera que Bolsonaro não tentou efetivamente dar um golpe de Estado, ainda que possa ter tramado.
Para condená-lo, o Supremo Tribunal Federal (STF) precisou fazer um exercício, ligando a cúpula do governo Bolsonaro à depredação ocorrida em 8 de janeiro de 2023 — até porque o crime de conspiração não foi aprovado quando se atualizou a lei sobre golpe de Estado, em 2021.
É claro que Flávio carrega a rejeição da faceta autoritária do bolsonarimo, e, não por acaso, se apresenta como o “Bolsonaro moderado”. Mas também com o Bolsonaro que “toma vacina”.

Desconstrução
O filho 01 de Bolsonaro também tem suas próprias fraquezas: escapou de uma investigação sobre rachadinha com ajuda do STF, em 2019, no início do inquérito das fake news, e comprou uma mansão por 6 milhões de reais em Brasília. Tudo isso será usado contra ele na campanha.
Mas o capital político de Bolsonaro, que Flávio já absorveu bem, vem infectado com o comportamento do ex-presidente durante a pandemia de covid.
O ex-governador de São Paulo João Doria disse nesta semana que “Bolsonaro teria sido reeleito se tivesse apoiado a vacina”. Presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto estava do lado do dono do Lide e anuiu com a cabeça, para irritação dos bolsonaristas nas redes sociais.
Sequelas
Os apoiadores do ex-presidente tentam, desde a pandemia, justificar o comportamento insensível de Bolsonaro, que foi, em muitos momentos, difícil de compreender, inclusive politicamente.
Alegando agir em nome da liberdade, o ex-presidente foi contra a obrigação de se vacinar e os lockdowns, mas também apoiou tratamentos alternativos fantasiosos e minimizou a doença.
As sequelas desse período de fato impediram sua reeleição em 2022 e serão transmitidas como herança para o filho que concorre ao Palácio do Planalto neste ano.
A pré-candidatura presidencial de Flávio avança quase sem resistência, por estratégia do PT, que prefere enfrentar o filho do ex-presidente — o senador de fato deu fôlego ao debilitado Lula.
Mas os flancos de ataque a Flávio estão claríssimos. Resta saber se o poder de fogo do PT é o mesmo que já dizimou as candidaturas de adversários como Geraldo Alckmin e Marina Silva.
Leia mais: Lava Jato ainda assombra Lula e PT
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Comentários (2)
CESAR AUGUSTO DIAS MARANHAO
04.04.2026 16:18Realmente a oposição do bolsonaro aos lockdowns e as vacinas fez com que perdesse milhões de votos. A oposição pode citar o fato dos "honestíssimos" Lula, José Sarney e Renan Calheiros terem se reunido e preferido manter suas bases fora das manifestações de impeachment do Bolsonaro por considerarem que seria mais fácil vence-lo do que ao seu vice Morão. Isso os torna cúmplice dos milhares de mortes?
Fabio
04.04.2026 13:19Ladrão e burro?