Tartaruga das Galápagos reaparece viva 113 anos após a coleta de um macho que ficou guardado em museu
Uma fêmea localizada numa ilha vulcânica permitiu comparar o DNA de um animal vivo com o de um exemplar de 1906.
Em 1906, um macho coletado nas Galápagos tornou-se a referência científica de uma linhagem conhecida por um único exemplar. Em 2019, uma fêmea apareceu viva na mesma ilha. A Tartaruga de Fernandina pôde ser identificada pela comparação genética entre os dois animais.
O que a expedição encontrou em 2019?
A equipe localizou uma fêmea viva em Fernandina, no oeste do arquipélago equatoriano. Chamada Fernanda, ela foi encontrada numa ilha vulcânica onde a lava separa manchas de vegetação. O encontro ocorreu 113 anos depois da coleta do macho.
Encontrar a fêmea resolveu a dúvida sobre a presença de uma tartaruga naquele ponto, mas sua linhagem ainda precisava ser determinada. A aparência de um animal isolado pode oferecer pistas. A comparação com o exemplar histórico permitiu examinar a identidade por outra via.

Como o DNA confirmou a identificação?
O estudo genômico publicado em 2022 comparou o material da fêmea com o do macho de 1906 e com outras tartarugas das Galápagos. Os dois exemplares de Fernandina se agruparam geneticamente, sustentando a identificação da linhagem da ilha.
A Galápagos Conservancy anunciou a confirmação em maio de 2021. O artigo científico saiu no ano seguinte e detalhou a análise. As datas representam etapas distintas, desde o registro de campo até a apresentação dos resultados genéticos.
A confirmação foi construída em etapas separadas por mais de um século.
Por que o exemplar de 1906 era tão importante?
O macho ficou preservado em uma coleção científica. Além de documentar a presença de uma tartaruga em Fernandina naquele ano, o material forneceu uma referência genética histórica. Sem ela, a comparação teria dependido principalmente de linhagens conhecidas de outras ilhas.
O artigo usa o nome Chelonoidis phantasticus para a tartaruga. Classificações que agrupam as tartarugas das Galápagos sob um nome mais amplo também a tratam como Chelonoidis niger phantasticus. As duas formas se referem à linhagem de Fernandina.
Como uma tartaruga pode passar tanto tempo despercebida?
Fernandina tem campos de lava e áreas vegetadas distribuídas de maneira irregular. O terreno limita os caminhos que as equipes conseguem percorrer. Uma busca cobre apenas parte desses ambientes, sobretudo quando o animal pode estar concentrado em manchas pequenas de habitat.
A vegetação também oferece locais onde uma tartaruga pode permanecer fora da vista. Em uma ilha de acesso difícil, o intervalo entre registros combina a raridade do animal com as oportunidades de observação. Pegadas e outros sinais podem orientar expedições posteriores.
O terreno impõe obstáculos diferentes à procura.
O que ainda falta descobrir na ilha?
O encontro confirmou um animal vivo. Para determinar se existe uma população reprodutiva, seria necessário localizar outros indivíduos e investigar idade, sexo e distribuição. A Galápagos Conservancy ainda descrevia Fernanda como a única sobrevivente conhecida em seu relatório mais recente consultado.
Novas buscas podem examinar locais de vegetação, rastros e áreas que expedições anteriores tiveram dificuldade de alcançar. A tarefa exige confirmar a origem de cada indício, porque um sinal de passagem pode indicar onde procurar sem identificar um animal por si só.
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O que mudou com a redescoberta
A identificação reuniu uma evidência de 1906, um encontro de campo e resultados genéticos. Cada parte resolveu uma questão diferente. O macho documentou a linhagem histórica, a fêmea mostrou a sobrevivência e a análise ligou os dois exemplares.
O próximo desafio passa pela mesma combinação de trabalho em campo e comparação científica. Um segundo exemplar vivo, se encontrado, permitiria investigar a população de uma ilha que durante mais de um século ofereceu poucas oportunidades de observação.
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